Dias 23 – 29

Uma semana. Bem, praticamente uma.

Essa semana começou com aquela que pode ser definida como a maior “filha-da-putice” já vista.

Já escrevi dizendo que encontrei uma moradia definitiva em Milão, mas não lembro se comentei o por que fi-lo. Bem, a Polimi reservou, para os alunos, um período de alojamento aqui na cidade, durante o mês de setembro. Porém, esse alojamento é temporário – Podemos ficar apenas até dia 03/10 aqui, tendo que sair do alojamento nesse dia. Claro, alguns colegas decidiram que o alojamento era suficiente (e entraram na concorrida lista de moradores do campus), enquanto que outros, como eu, decidiram que era hora de se virar e se jogar no mercado imobiliário (ou aproveitar experiências de aluguel no Brasil).

Mas uma coisa não estava nos planos:

Traição

Antes de continuar (agora que você já decidiu ler o resto :D) devo explicar: Ainda estou com moradia definida, não fui eu a parte traída. Quem teve esse problema foram Vitor, Gustavo e Lívia, que encontraram o apartamento perfeito para as necessidades deles: Quartos individuais, preço muito bom, cozinha e banheiro suficientes…

Basicamente tudo que eles queriam.

Enquanto isso, outros colegas também buscavam apartamentos. Eu e Leo já havíamos fechado os nossos, então estávamos fora do rolo. Porém, outros moradores do alojamento (Não lembro de todos os nomes, mas como citei as vítimas, acho justo nomear os outros também: Fernando, Isadora, Paola) ainda buscavam um local para morar.

O Vitor decide, com a melhor das intenções, passar o número e o contato da imobiliária – afinal de contas, vai que ainda tem um AP massa e que eles curtam?

Pois bem. Veio a segunda-feira. Não fui para a aula de italiano – Hoje estava marcada a questura na polícia local – basicamente a minha identificação aqui na cidade. Uma espera básica – serviço público italiano é comparável ao brasileiro – e beleza, hora de ir!

Volto para o alojamento e, pela primeira vez em muito tempo, passo um tempo navegando na internet. Deu pra lembrar como isso é tedioso. Ouço vozes no corredor, do grupo que pegou o apartamento, sem imaginar o ocorrido. Ao final da tarde, Paola, não a que fechou o apartamento, mas a que tem passeado conosco, me conta: O apartamento que o vitor, a ívia e o gustavo haviam visto foi pego pelos outros meninos(e meninas).

Que merda.

Fiquei sem saber o que falar com o pessoal, já que eles estavam visivelmente putos com todos. O clima estava tipo “Superamos isso – mas vamos continuar xingando”. E isso meio que definiu a semana.

Na terça-feira não rolou museu. Recebemos o livro de italiano (finalmente!) e decidi aproveitar para estudar, fazer uns exercícios do livro. Na quarta, foi dia de caçar apartamentos com todo mundo. Ajudei eles a encontrar algum lugar legal, parecido, semelhante… Claro, nenhum dos disponíveis se adequa ao anterior, mas né, ajudar não custa nada.

Quinta-feira foi mais um dia meio perdido na frente do computador. Acho que eu estava tentando criar uma rede entre o meu PC e os meus eletrônicos – a chegada de um enxame de gente no alojamento está destruindo as redes. Ou entre os celulares. Ou algo do gênero. À noite vem a notícia de que Lívia, Vitor e Gustavo não só encontraram um último colega disposto a fechar o apartamento como também encontraram um que gostaram. Sexta-feira eles fizeram uma proposta de pagamento (mais adequada às capacidades dos alunos CSF), mas até que tudo esteja acertado, brincamos que eles estão alugando um estábulo no San Siro.

Sexta-feira também foi o dia do meu primeiro campeonato de Magic em Milão! Participei de um Draft (estilo de jogo onde os participantes compram 3 boosters – pacotinhos de cartas – cada, escolhem uma carta e passam o monte restante para outro jogador, até que todas as cartas novas tenham sido escolhidas por alguém), no qual foi EXTREMAMENTE bem! Empatei minha primeira partida e ganhei as duas seguintes, encerrando o campeonato 2-0-1. Carta de premiação: luz banidora foil em italiano. Sério, ela é linda:

*-*

*-*

De noite fomos com uns italianos aqui da residência até um bar mais no centro da cidade. O Atomic Bar é um lugar minúsculo – A Mantícore GS é maior que o boteco – mas aparentemente extremamente movimentado. Devia ter gente variando dos 18 aos 40 anos lá, curtindo a música. A experiência era muito parecida com dar uma festa na sala do PET – mas uma festa com 200 pessoas entrando e saindo do lugar.

Em Curitiba eu já fiquei em muvucas assim antes, dançando e ouvindo o bom rock’n’roll que toca lá, mas parece que o povo das baladas nunca foi num lugar tão pequeno. Embora a música estivesse ótima, acabamos buscando refúgio num bar próximo (com shots de preço razoável pra barato, IMO). Saímos em várias nacionalidades: Brasileiros do CSF, Italianos (que haviam terminado os exames nessa sexta), um nigeriano, um iraniano e um espanhol. Foi um passeio multilíngue 😀

Lá pelas três da manhã todos ficaram de saco cheio (e os dois bares fecharam), então demos um jeito de voltar. À noite, as linhas de metrô são substituídas por ônibus que as seguem mais ou menos fielmente. Fomos caminhando até a estação mais próxima, mas o ônibus só iria chegar em 20 minutos. Como ainda teríamos que pegar um outro ônibus, optamos por ir até lá. Tudo teria dado muito certo se não fosse a “kebaperia” aberta na madrugada. Uma boa parte da galera estava com fome e decidiram entrar. Eu e outros estavamos “foda-se a fome” e decidimos continuar. Acabei voltando com o iraniano, não encontramos a parada do ônibus, e caminhamos pouco mais de uma hora do ponto onde estávamos até o alojamento (chegando depois de uma galera). Minhas pernas doeram tanto que ainda sinto as cãibras.

Sábado de tarde teve o pré-lançamento de I Khan di Tarkir, a nova coleção de Magic: The Gathering. Foi horrível, perdi quase todas. Não por que ache que as cartas que abri eram fracas, mas não consegui montar um deck forte o bastante com elas. Uma pena 😦

Depois do torneio, fiquei mais de hora trocando cartas com um italiano – minhas cartas em PT-BR são raríssimas por aqui 😀 – e embora tenhamos feito apenas trocas de idioma, acho que ambos saíram ganhando. Me passaram uma dica boa: Conseguir cartas em alemão, pois estas são “mais admiradas/melhor pagas” por colecionadores norte-americanos (segundo um dos italianos lá). Depois eu dou uma conferida nisso.

Domingo foi um dia meio merda. Planejamos um passeio pra Bergamo, mas a Trenitalia entrou em greve – só durante o domingo. Ou seja, sem trens 😦 [tenho que dar um jeito de reembolsar minha passagem ¬¬]

Acabamos fazendo uma senhora macarronada: Dois quilos de macarrão à bolognesa (mais, provavelmente, mas foram dois pacotes de 1kg). Acho que nunca comemos tanto. Pessoal até fez brincadeiras sobre almoço na casa da avó….

Mais à tarde fomos de volta para o Parque Sempione, com nosso amigo espanhol Felix, o iraniano Mahamud (ou qq coisa do gênero – ele nunca vai ler isso mesmo) e uma menina da Suécia (cujo nome não lembro e não saberia soletrar). Aparentemente o Mahamud nunca praticou algum esporte na vida, mas isso não o impediu de se divertir.

Anoitece...

Anoitece…

Se tem algo que essa viagem está fazendo BEM é ampliar nossas fronteiras. Acho que todos nós, por mais curiosos ou estranhos que sejam nossos pré-conceitos, estamos sendo transformados pelos outros alunos no campus. Acho que isso é parte do “Sem Fronteiras” 😀

Ah, jogar basquete. Lembrei por que sou horrível nesse esporte.

TL;DR: Magic em Milão! Apartamento Roubado! Muita Gente Diferente!

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~ por nesello em 2014 09 22.

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