Dia sete

Esse foi um dia muito doido. Durante a madrugada meu colega de quarto chegou comentando sobre uma viagem hoje. Destino: Verona. ok né, vamos nessa 😀

Acordamos perto das 08:30, para se arrumar e correr até a estação central pegar um trem. O que saía mais rápido saia perto das 10:40, mas esse já estava lotado. Pegamos o trem das 11:40, dando um tempo para melhorar o café da manhã (as bolachas que comprei não enchem o bucho :X). Comi um sanduichinho e bebi um espresso. Só para lembrar que não gosto de café. Pegamos o trem Freccia Bianca, mais veloz e mais moderno (até tomada dentro do trem!). Como não nos tocamos que tinha lugar marcado, ficamos separados durante essa viagem. Ok né, dá para ouvir uma musiquinha (não muita pois a bateria teve que durar o dia inteiro), apreciar a paisagem, entender como os italianos se comportam dentro do trem…

Todos eram quietos, falavam baixo. Sozinhos, parecem muito reservados. Ouvia-se uma família, com as crianças se divertindo com tablets (baratos, imagino eu). A viagem passou rápido – era perto de uma hora – e lá estávamos nós (Eu, Leo, Nicole, Anna e Gustavo) em outra cidade. Levamos uma meia hora para encontrar o primeiro ponto turístico, basicamente por uma falha de comunicação. Acabamos indo em uma direção e depois voltamos o mesmo tanto. As construções são diferentes e iguais, uma coisa estranha que só vi aqui. Vários prédios de décadas diversas, em uma curiosa mistura de antigo e novo. Não consigo dizer o quão curiosas são as vielas – Iluminadas, amplas, algumas com espaço para carros. Depois de umas voltas (e um pedido de informações), chegamos à praça central da cidade.

Ao lado da praça (Enorme, por sinal, e com um desvio para carros) há uma arena romana, degradada mas mantida, de alguma forma. Shows de ópera, teatro, etc. acontecem nessa arena. Se não tivéssemos um horário tão apertado para o retorno, com certeza teríamos assistido a apresentação da noite. De qualquer forma, o lugar é incrível, de uma acústica curiosamente maravilhosa, e visibilidade limitada apenas pelo cenário do palco. Magnífica. (Ah, utilizamos nossas carteirinhas da Erasmus pela primeira vez, para ganhar desconto na entrada da arena.)

O maior problema do dia era a temperatura. Estava MUITO quente, todos nós já quase sem água. Felizmente um bebedouro público (não sei de que época, mas poderia ser medieval) estava lá para nos salvar. Enquanto meus amigos almoçaram um sanduíche (adquirido pouco antes de encontrarmos o bebedouro), decidi optar por algo mais leve, uma salada de frutas. Como até agora comi basicamente massa, uma variada nos nutrientes foi MUITO bem vinda, embora um bocado quente. Decidimos então visitar o castelo Vecchio. A construção – que a Wikipedia diz ser medieval – é bem conservada, e hoje abriga um museu. Como nós não temos dinheiro para esbanjar, tivemos que negar a visita.

Depois disso decidimos procurar a casa de Julieta, personagem de Shakespeare. Felizmente existem várias placas (e uma feira ao ar livre, para delírio das meninas) indicando o caminho. Não é fácil errar o local, sendo um dos mais movimentados que vimos até agora. Logo na entrada – o famoso balcão não fica voltado para a rua – vê-se um amontoado de pessoas. O corredor que leva para a entrada da casa é cheio de escritos, bilhetes e band-aids. Sério, curativos com o nome de casais escritos, colados em um corredor de uns 7 a 10 metros de comprimento. Chegando na pracinha (não sei como chamar isso), duas atrações são focadas: O balcão, sobre o qual a herdeira Capuleto fora cortejada pelo jovem Montéquio, e a estátua da dama, assediada pelas mãos de turistas que acreditam que, ao tocar seu seio desnudo, garantem um casamento duradouro. Sério, nem o Romeu chegou tão perto da jovem. Um portão ao fundo está carregado de cadeados (gente fazendo promessas de amor é TÃO clichê…) encerra o cenário grande. Um olho mais atento, porém, vê os escritos, post-its e – dammit – chicletes deixados por outros casais. Esse negócio de casamento vai tão bem que tem um café no local – vendendo cadeados, canetas e outros produtos.

Uma das coisas curiosas que vi é que algumas das construções não possuem porta para a rua, existindo uma passagem para uma praça mais privativa, no maior estilo Vila do Chaves. Felizmente ainda não pagamos nenhum mico de entrar em um destes locais.

Depois de visitado o balcão, tentamos encontrar a tumba da dita-cuja. Porém neste ponto as placas começaram a falhar. Ou a gente simplesmente quis se perder um pouco. O que interessa é que não encontramos o corpo da defunta, desistindo quando o local ficou longe demais de todo o resto. Decidimos voltar ao castelo, para passar sobre a ponte anexa. Mas antes, uma pausa para jantar um panzerotto, Uma espécie de calzone com massa de pão e recheios diversos. Por três euros eu fiquei BEM satisfeito. Depois, partiu ponte.

O sol estava se pondo no exato momento que chegamos à ponte. Aproveitamos a paisagem – eu ainda não achei uma coisa feia por aqui, e olha que eu vejo pichações o tempo todo – e, um tempo depois, um grupo de rapazes começou a tocar músicas locais, com uma sanfona, gaita, entre outros instrumentos. Não conheço outra palavra para descrever isso que não Mágico. O momento foi mágico. ponto.

Após o sol ter se posto, descemos perto do rio Adige. Curiosamente ele não fede – tinha gente fazendo rafting mais cedo – o que me surpreendeu. As águas são velozes, mas não há nada interessante para um passeio de rafting. Descer ele de canoa talvez fosse mais emocionante – ou remar contra a correnteza.

Depois voltamos para a praça central, ao lado da arena, para aproveitar nossos últimos minutos em Verona. Ouvimos algo perto de 5 minutos da apresentação na arena (eles tem caixas de som instaladas para o público geral). Depois, corremos para a estação. Felizmente descobrimos que a mesma rua que chega na praça leva até a estação de trem, o que nos poupou uns 20 minutos de caminhada.

O trem da volta atrasou, por motivos místicos, de tal maneira que saímos às 22:00, quando o programado era 21:40. No trem, ficamos sabendo que devíamos validar nossos bilhetes em uma máquina (atrás deles está escrito: BILHETES SEM ASSENTO MARCADO DEVEM SER VALIDADOS, mas de um jeito tão discreto e no meio de TANTAS letras que nem percebemos). Felizmente o cobrador não nos multou (50 euros), e ainda descemos em uma estação mais perto de onde fica o alojamento.

Estação Central de Milão. Esse lugar é GIGANTE

Estação Central de Milão. Esse lugar é GIGANTE

Primeira construção legal de Verona. Repare nos arcos.

Primeira construção legal de Verona. Repare nos arcos.

Viela com turistas, AKA a gente :D

Viela com turistas, AKA a gente 😀

PUB ESCOCÊS!!!!!

PUB ESCOCÊS!!!!!

Construções tão diferentes nunca harmonizaram tão bem.

Construções tão diferentes nunca harmonizaram tão bem.

Fonte na praça. Muito bonitinha.

Fonte na praça. Muito bonitinha.

Panorâmica da praça!

Panorâmica da praça!

GLADIADORES

GLADIADORES

No topo da arena

No topo da arena

Brincando de sol com o Castelo

Brincando de sol com o Castelo

Grupo todo!

Grupo todo!

Torres e relógios e feiras...

Torres e relógios e feiras…

Entrada para o balcão. As coisas cor-da-pele na parede são band-aids. Será que são para corações partidos?

Entrada para o balcão. As coisas cor-da-pele na parede são band-aids. Será que são para corações partidos?

O que tem atrás dessa porta que precisa de tantos cadeados?

O que tem atrás dessa porta que precisa de tantos cadeados?

Por esse balcão já passou mais gente que por muita puta por aí...

Por esse balcão já passou mais gente que por muita puta por aí…

Tanta mão já passou por esse peito aí...

Tanta mão já passou por esse peito aí…

Foto curiosa do momento: O carro ao fundo é o Ka do Brasil. O mais destacado é o Ka italiano.

Foto curiosa do momento: O carro ao fundo é o Ka do Brasil. O mais destacado é o Ka italiano.

Lembrem, esse país foi criado com suor, sangue e lágrimas.

Lembrem, esse país foi criado com suor, sangue e lágrimas.

visão geral da peça.

visão geral da peça.

eu estragando a paisagem.

eu estragando a paisagem.

A ponte é muito bonita :D

A ponte é muito bonita 😀

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Teorema das casas dos pombos perseguindo geral.

Teorema das casas dos pombos perseguindo geral.

TL;DR: verona é muito turística.

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~ por nesello em 2014 09 01.

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