Dia um

Ok, parece que as preocupações do dia zero se mostraram desnecessárias (a conexão vai dar tempo? O avião pode cair. Se cair, oq fazer? Resgatar pessoas ou objetos? Ficar em grupo ou não? E se as malas desaparecerem? E se o hotel não existe mais? E…).

Então estou aqui, em Milão. Pois é, estou ouvindo, falando e pensando em italiano de um jeito que eu não achei que fosse conseguir. (mas esperava. Damm, por que vocês ficaram perguntando se o italiano está bom???)

O voo foi cansativo. Essa é a palavra e definição principal. Quem já viajou de ônibus sabe o que é dormir com uma pessoa perigosamente ao seu lado, enquanto todo o veículo treme. Curiosamente, eu já dormi melhor em ônibus. Acho que a adrenalina estava meio alta. De qualquer forma, consegui dormir um pouco (umas seis horas – das quase doze que o voo durou). O trecho CT-SP foi tranquilo. O avião mal decolou já estava pousando (sério, foi tipo meia hora de voo e meia hora de taxiamento nos dois aeroportos). O bom é que chegamos em Sampa a ponto de eu esperar na fila de embarque. Embora tenha corrido um pouco – bem, apressado o passo é mais preciso – a alfândega não era muito longe do terminal onde desembarquei. Devo ter caminhado um quilômetro em esteiras dentro de Guarulhos.

Na alfândega propriamente dita, tudo ocorrido conforme já me avisaram. Para passar nas máquinas de raio-X, computador e líquidos separados da mochila de mão (A guerreira da vez é a de EC. 1-UP \o/), jaqueta também retirada… Um senhor na minha frente até o cinto tirou. A alfândega estava bem tranquila. Basicamente mostrar os documentos e passagem para a atendente e vambora. Fila só de 15 minutos, menos até (telefone estava desligado desde que saí de casa – e relógio não uso).

Na sala de embarque a coisa demorou um pouco mais. Como peguei assento numa das filas da frente (classe econômica, claro), tive que esperar toda a fila dos de trás passar (NOTA: filas de trás são mais seguras e entram antes. Esquecendo da nota em 5, 4…). O avião decolou no horário previsto, felizmente tinha música decente (dava até pra escolher! AC/DC, Eric Clapton, Nirvana, e mais algumas que olhei e esqueci!) e alguns filmes interessantes. Ouvi um pouco de Nirvana até a chegada da janta (Raviolli recheado com ricota ao molho de espinafre. Não era a melhor coisa do mundo, mas não estava ruim. O vinho servido foi do agrado). Daí, mais um pouco de música até o tormento que foi tentar pegar no sono. Sim, sou um chato para dormir, admito. Não dá pra deitar (o reclinar deve largar a pessoa a um ângulo de uns 120º entre o peito e o joelho), não tinha uma posição confortável pras pernas, e o cara do lado (não sei se ele era brasileiro ou italiano até agora – mas aposto no segundo) não tinha noção de espaço. De qualquer forma, consegui cair no sono em algum momento (tipo lá pelas 5 da manhã – horário de brasília – Ah, tinham TVs com relógio, mapa e coisas legais nas poltronas da frente – foi onde vi o filme). Depois, quando acordei, decidi assistir o Amazing Spider Man. Não gostei, em parte pke o enredo do filme é corrido DEMAIS pro meu gosto, e em parte pke a tela não era boa. Cenas muito escuras não foram exibidas – ou seja, uma boa parte do filme eu vi vultos e meu próprio reflexo. De qualquer forma, logo veio o café da manhã e o filme acabou antes da viagem /*SPOILER: A gwen não morre 😦 SPOILER*/. Chegamos em Milão – Aeroporto de Malpensa, hora local 14:50, hora do Brasil, 09:50. Aqui deve estar no horário de verão (e o calor está de fazer inveja ao inverno curitibano). Desembarquei, caminhei meia hora até a alfândega italiana (o senhor que me atendeu não pareceu acreditar que eu ia estudar, mas…) e fiquei mais uma meia hora esperando as malas chegarem. Sério, as minhas deviam estar lá no fundo do avião, perto dos objetos contrabandeados. Vieram três levas com umas 50 malas cada antes das minhas começarem a aparecer.

Depois disso, lá estava eu, sozinho, procurando por algum lugar onde pudesse pegar o trem para Stazione Centrale. Felizmente existem balcões de informação para salvar o dia. Fui até a estação de trem, olhei rapidamente no display com os horários e ZAZ, adeus trem para Stazione Centrale. O próximo era em 40 minutos. Comprei minha passagem (para me garantir, vai que um fiscal entra no trem e eu arranjo encrenca ANTES de chegar na cidade?), tentei fazer uma ligação (não sei oq fiz de errado, mas algo estava errado), validei o ticket do trem e esperei. O trem já estava parado esperando, então 16:19 ele partiu. Eu nunca tinha viajado de trem antes, mas não foi muito diferente de um biarticulado com o triplo do tamanho andando a uns 120km/h. Ou seja, gostei.

Quando cheguei na estação central… Sério, que parada ENORME. É basicamente uma estação de trem do tamanho de um aeroporto de médio porte – pense Foz do Iguaçú. MAS, dentro dela é tipo um shopping. Sério, essa estação é muito grande – E bonita. Abaixo mostro uma foto externa dela.

Desembarquei na estação, dou uma procurada nos arredores pelo hotel onde estou hospedado, chuto a mala maior umas 15 vezes (Essa parada é totalmente instável! Você dá uma canelada sem querer nela e ela começa a pular de uma rodinha pra outra, cada vez mais inclinada! WTF!), e já aproveito e me familiarizo com a cidade. Hotel localizado, bagagens guardadas, um tempinho até a janta… Decidi sair e caminhar um pouco.

Milão, sob um ponto de vista menos turístico, não é diferente de Curitiba. Prédios grandes e imponentes, edificações mais antigas, mendigos… No geral, uma cidade grande. Algumas coisas me chamaram bastante a atenção: Os pontos de aluguel de bicicleta (tá certo que estou num ponto concorrido – a stazione centrale – mas eu contei uns 5 num raio de 500 metros), ciclofaixas aos montes, semáforos para tudo: carros, pedestres E ciclistas, numa das ruas principais tem um estacionamento subterrâneo – ou seja, nenhum carro nela. Só não encontrei o restaurante que me recomendaram, o Ciao. Quase como no McDonalds, mas né, vamos aproveitar e variar de vez. Após dar uma bela volta na região, um pensamento se desfez. Encontrei mais negros aqui do que em Curitiba. Só não sei quantos eram turistas e quantos eram moradores. Também são reconhecíveis os árabes (sério, a cara deles é diferente de todas as outras), diferente dos demais europeus. Acho que só encontrei uma senhora falando francês – ao telefone. Outros idiomas, ainda não.

Na janta – com o sol se pondo, já que agora voltei pro verão, comi um kebab, um sanduíche de carne de carneiro com tomate, alface e um molho picante. Preço de McDonalds, gosto não muito diferente. E essa foi a aventura do dia. Agora o cansaço está batendo mais forte, amanhã é dia de recomeçar as coisas por aqui…

Malfeito feito.

Trem antigo, abandonado e pichado.

Trem antigo, abandonado e pichado.

Pichação em muro ao redor da linha dos trens

Pichação em muro ao redor da linha dos trens

Mais uma pichação. Algumas são mais artísticas, outras, poéticas. Outras são apenas letras garrafais.

Mais uma pichação. Algumas são mais artísticas, outras, poéticas. Outras são apenas letras garrafais.

Várias linhas de trem. esse tipo de cenário me parece o mínimo que uma criação cyberpunk deve ter. Cinza, pedras, linhas de energia, ferro...

Várias linhas de trem. esse tipo de cenário me parece o mínimo que uma criação cyberpunk deve ter. Cinza, pedras, linhas de energia, ferro…

Fachada da estação central, vista de longe, com uma pracinha no caminho.

Fachada da estação central, vista de longe, com uma pracinha no caminho.

A primeira igrejinha que vi em Milão.

A primeira igrejinha que vi em Milão.

TL;DR: To bem, vivo, e inteiro.

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~ por nesello em 2014 08 24.

4 Respostas to “Dia um”

  1. É isso ae Paulera!!! Espero que essa jornada te enriqueça, não só técnicamente, como culturalmente. Dizem que viagens assim mudam nossa perspectiva do mundo…esperamos que vc mude para melhor! hahaha

    Que seja a primeira de muitas viagens!!!!

    Cheers! \,,/

    Bruno.

  2. Grande Paulo,

    achei fantástico o teu relato da viagem e da chegada (lembrei-me muito da minha própria experiência quando parti para o doutorado na Inglaterra). Espero que continue aproveitando bastante todas as vivências por aí!

    Abraços,

    Hugo
    P.S. Espere até conhecer Roma (acho que a tua visão de tráfego e trânsito irá mudar para sempre). 🙂

    • Obrigado Hugo!!
      Já estou em uma espécie de choque com relação ao transporte em Milão, as diferenças (e, por que não, semelhanças) com Curitiba são incríveis!

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