ENEM: Fracasso?

Esse fim de semana foram aplicadas, no Brasil inteiro, as quatro provas que compõe o ENEM. Distrubuídas em dois dias, as provas apresentaram problemas técnicos e de organização, a ponto de uma juíza da 7ª Vara Federal aceitou o pedido de cancelamento da prova em toda a nação. Creio que essa medida drástica seja desnecessária, mas nem por isso os problemas ocorridos durante a prova deixam de ser graves.

Um problema que percebi instantaneamente foi o erro dos locais de prova. Meu cartão de confirmação trazia o número da faculdade onde realizei o teste como sendo 70, embora, na verdade, fosse 470. Sim, próximo, porém ouvi relatos de salas de aplicação que simplesmente não existiam. Prédios que iam até o 2º andar e possuiam salas distribuídas em até três pavimentos. Salas que simplesmente não existiam. Ouvi relatos, também, de alunos que foram ao local indicado, mas não possuiam os nomes na lista da sala.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a variedade(por não encontrar termo melhor) de treinamento. Felizmente, os fiscais de prova em minha sala foram atensiosos, prestativos e, na maior parte do tempo, coesos e bem informados. Porém, houveram salas onde os candidatos fizeram uso de lápis e borracha, onde estes não receberam informações sobre o tempo de prova, ou mesmo sequer foram orientados a respeito dos erros de diagramação e impressão do sábado. Outra cena questionável foi a do repórter que enviou o tema da redação via telefone celular ao jornal onde trabalhava. Soube de alunos que tiraram fotos da prova, com uma “comissão” preparada para enviar as respostas corretas. Se houve treinamento aos aplicadores de prova, tenho minhas razões em questionar sua eficácia.

Falando e erros de diagramação, o cartão-resposta de sábado, onde deveríamos marcas as alternativas escolhidas, tinha os cabeçalhos das matérias trocados. As questões de 1 a 45 eram, na prova, destinadas à área de Ciências Humanas, mas no cartão-resposta tais questões foram separadas para a área de Ciências da Natureza. As seguintes também tinhas cabeçalho invertido. Felizmente a prova de domingo não teve este problema, mas alguns cartões-reposta tinham erro na seleção de língua estrangeira do candidato. Resta saber como o INEP e o MEC irão corrigir a prova, e que outras medidas tomarão.

Tiveram outros problemas dos quais ouvi falar, mas a prova não foi uma decepção total. Este ano, as questões estavam notavelmente mais complicadas que as do ano anterior, provavelmente um reflexo do modelo de elaboração e avaliação usado, a TRI, Teoria de Resposta ao Item. Essa teoria avaliativa proporciona uma uniformidade da avaliação, permitindo que se façam provas diferentes, porém de dificuldade muito parecida, avaliando os mesmos quesitos.

E é justamente essa TRI que pode salvar o MEC e o INEP. Como as provas por eles elaboradas seguem essa teoria, eles podem facilmente substituir a prova original por outra de igual valor. A segunda prova não deixaria de ser justa, isto é, tão difícil quanto a primeira, como podemos precipitadamente pensar. Diferentemente do modelo tradicional de provas, este novo modelo facilita que provas diferentes testem habilidades semelhantes. Sejamos sinceros, esta prova é bastante cansativa, custosa e necessita de um planejamento que, penso eu, o MEC e o INEP ainda não afinaram completamente. Tomara que os erros deste ano não se repitam.

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~ por nesello em 2010 11 08.

Uma resposta to “ENEM: Fracasso?”

  1. Pois é. O Governo nao está ENEM aí pra nós, estudantes.

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