Retrato do Ensino na Ditadura

Ainda ontem, eu tava passeando pelo blog da World RPG Fest, e acabei lendo um post sobre educação tradicional e nova educação. E, à noite, fui fazer um trabalho sobre literatura no período pós-64. E no meio da pesquisa, me deparei com uma informação que, para mim, tornou-se um marco.

A ditadura buscou, como muitos devem saber, eliminar o pensamento crítico, e instaurar o domínio da razão instrumental. Curiosamente, não utilizaríamos essa razão alienante para fins nacionais. Capital extrangeiro foi inserido no país, visando apenas retorno. Nos tornaríamos apenas mais uma engrenagem no sistema. Claro, houve quem lutou contra isso de maneira sutil, buscando contrariar a ditadura com meios intelectuais(razão comunicativa?), e quem preferiu “pegar em armas” e zoar o barraco(sem realmente objetivar uma mudança profunda).

Mas meu objetivo não é comentar essa história conhecida por muitos. Aqui vou comentar algo que apenas os mais velhos devem ter acompanhado:

Uma mudança na educação.

Como os militares não queriam oposição, trataram de alterar a grade horária das disciplinas. Menos aulas de história e filosofia, mais aulas de química e matemática. Por que? Essas duas últimas formam trabalhadores, mão-de-obra, ou seja, alguém para encher as fábricas (que o governo, se não estava importando, estava criando com capital externo).

As outras duas, incitam a crítica, o pensamento. Reduz-se as cargas horárias e reduz-se o tempo para pensar. O ensino de história e filosofia precisa ser sistematizado, por haver pouco tempo para atravessar os conteúdos. Porém, “Ensina-se filosofia e história nas escolas – característica de uma democracia”, como deve ter dito algum publicitário da época.

Mas isso é previsível. O que me surpreendeu mesmo vem agora.

Até essa época, a educação era, principalmente, estatal. Escolas públicas batiam de frente – e levavam a melhor, em alguns casos – com as particulares, estas infestadas de alunos que não acompanhavam o ensino público, e este passou a mudar. O foco do governo tornou-se privatizar a educação, e, claro, reprimir possíveis pensadores.

Essa privatização da educação possibilita a entrada de capital estrangeiro(como queriam os ditadores) logo no início da vida. Já nos acostumamos a ser dominados desde pequenos. Em contramão ao nacionalismo dos anos anteriores, agora tudo vem de fora. Inclusive os pensamentos de que o brasil vai “muito bem, obrigado”.

Se o ensino público tornou-se o que é hoje(bem como o privado), acho que podemos apontar os lápis para o culpado.

Agora é recuperar o tempo perdido – E melhorar de vez esse ensino.

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~ por nesello em 2010 06 11.

Uma resposta to “Retrato do Ensino na Ditadura”

  1. Opa… muito bom Paulo! é exatamente essa amarra que se refere à tão falada “educação tradicional”!!! A famosa educação qeu não educa….

    Parabéns pelo texto!

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