Contos – Black Heart 04

Surpreso com o sacrifício do rapaz. O jardineiro – ou o que se reconhece dele – exclama, do alto:

– O quê???

” Nota mental: ficar longe da terra.”

– Que sua alma retorne ao seu deus de origem. – O padre exclama:

– Por Deus!

Após cumprir meu voto fúnebre, avalio as crianças, pra descobrir o quanto elas conseguem aguentar de ferimentos, assim como a árvore, percebendo que a árvore pode tirar uma boa quantidade de vitalidade das crianças, pois pelo ferimento que o Padre causou, a criança afetada apenas gritou de dor, mas depois continuou a postos para defender a árvore. E como são várias crianças, mais de 20, o inimigo pode aguentar muitos ataques, sem falar de sua resistência natural a danos. O jovem diz suas últimas palavras:

-Cuidem… das.. crianças… por favor…

Tomado pela ira, o Padre ameaça a árvore.

– Maldito coração negro, corruptor de inocentes. Minhas lâminas te alcançarão.

Eu saio de perto da árvore, e falo para o padre:

– A árvore é forte. Não conseguiremos derrotá-la sem matar as crianças e, mesmo assim, ficaremos muito esgotados. Tirar as crianças desse efeito aprece uma boa opção.

– Você tem algum plano? Tente afastá-las enquanto procuro reter a atenção do jardineiro.

– Não tenho poder para separá-las da árvore principal. Você é um sacerdote, acha que consegue exorcizar a influência maligna nas crianças?

O padre faz que sim com a cabeça, e pergunta:

– Preciso que me dê proteção enquanto faço o ritual, pois não terei defesa. Mas tome cuidado. Não quero outro sacrifício de um inocente.

Para então se ajoelhar.

– Espere um pouco.

Me transformo novamente. Primeiro, a invisibilidade desaparece, mostrando o corpo assexuado e o rosto desfigurado que escolhi para sua forma espiritual. Em seguida, sua pele escurece, mas os ossos passam a ser vistos. Nas pernas, uma quantidade maior de massa surge. Nos braços, o rádio direito e a ulna esquerda se prolongam, e cobrem a parde superior do braço, formando um escudo ósseo. No rosto, pequenos chifres ósseos voltados para trás surgem. No resto do corpo, é possível ver as articulações se modificando, os ossos crescendo, junto com a massa negra. Finda a transformação, Hone Kekkai sobrepõe braço direito e esquerdo, montando um grande escudo ósseo.

A voz aguda, característica de um esqueleto, digo ao padre:

– Pode começar.

O padre cruza as espadas e começa a recitar, em canto gregoriano:

“Ignis ante ipsum praecedet et inflammabit in circuitu inimicos eius
Adluxerunt fulgora eius orbi terrae vidit et commota est terra
Montes sicut cera fluxerunt a facie Domini; a facie Domini omnis terrae
Adnuntiaverunt caeli iustitiam eius et viderunt omnes populi gloriam eius
Confundantur omnes qui adorant sculptilia qui gloriantur in simulacris
suis adorate eum omnes angeli eius”

A árvore maligna começa a se retorcer.

-Aaaargh!! Seu padre maldito!!

A árvore parece não poder atacar o Padre, e escolhe, como alvo, um dos enxames de morcego. Sua raiz atravessa o enxame, sem lhes tocar. Ambos os enxames se aproximam da árvore. O padre continua seu exorcismo:

“Dominus regnavit! Exsultet terra, laetentur insulae multae.
Sicut dissipatur fumus, tu dissipas; sicut fluit cera a facie ignis, sic pereunt peccatores a facie Dei.
Deus, qui inhabitare facit desolatos in domo, qui educit vinctos in prosperitatem; verumtamen rebelles habitabunt in arida terra.”

Vejo um jovem com a jaqueta manchada de sangue correr para a árvore. Ele para, sem saber o que fazer. O ajrdineiro grita, do alto, afetado pelo exorcismo:

-NÃÃÃÃOOOOOOOOOOOO!!!

As crianças-monstro começam a gritar de dor e a árvore começa a brilhar.

Então o jardineiro é expulso da árvore, sendo jogado para trás e caindo no chão, desmaiado. A forma dele está bem diferente.

Corro até ele, desviando da árvore. As crianças parecem estar bem, mas o jardineiro parece um demônio.  A mulher-demônio se aproxima, recompondo-se da nuvem de morcegos. Sua cópia desaparece.  Ela assume uma forma humana,

O jovem se aproxima cautelosamente do corpo desmaiado do jardineiro com o taser na mão e pergunta para os outros:
-Algum de vocês pode fazer essa coisa virar uma pessoa normal de novo?

-Não posso retirar a influência maligna sobre os black hearts. nem sei se pode ser removida nesta vida. E com você, o que aconteceu? tenho certeza que estava morto!

O padre ainda de joelhos se levanta. Ele caminha até bem próximo do corpo e tira uma espécie de frasco do bolso e depois de uma rápida unção sobre o corpo do Black Heart ministrando o sacramento da EXTREMÆ UNCTIONIS, ele toma as espadas e as cruza mais uma vez, só que a oração que ele profere tem um ar solene e triste.

“- Pax huic dómui.
Et ómnibus habitántibus in ea.
Adjutórium nostrum in nómine Dómini.
Qui fecit cælum et terram.
Dóminus vobíscum.
Et cum spíritu tuo…
Per Christum Dóminum nostrum. Amen.”

Após a oração, ele ergue ambas as espadas para dar fim a existência terrena do Black Heart mirando o corte no pescoço da criatura. Eu me afasto enquanto ele profere sua oração.

” Deuses… podem eles realmente nos ouvir?”

O padre decapita o Black Heart. Morte é a única maneira de redimí-los. Quem nos dera haver outra.  falo:

– Que uma nova vida traga lições melhores.

A mulher-demônio e o jovem parecem se incomodar com a cena. O padre se levanta, limpa e guarda as espadas, faz o sinal da cruz e pergunta:

– Vocês estão todos bem?

Era óbvio que não.

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~ por nesello em 2010 02 17.

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