Análise – Música – O Tempo Não Para

Olá.

O Tempo não para é um dos maiores sucessos da carreira solo de Cazuza. Lançado em álbum homônimo, foi um dos últimos trabalhos de Cazuza em vida.

O ano era 1988. Nova constituição no Brasil, firmando o poder da república como forma de governo, em contraste à ditadura dos 24 anos anteriores. O HIV torna-se cada vez mais conhecido – e o preconceito contra os aidéticos cada vez maior. Uma série de medidas adotadas pelo governo Sarney para controlar a inflação finaliza a década perdida.

A música:

Disparo contra o sol

Sou forte, sou por acaso

Minha metralhadora cheia de mágoas

Eu sou um cara

Cansado de correr

Na direção contrária

Sem pódio de chegada ou beijo de namorada

Eu sou mais um cara

Mas se você achar

Que eu tô derrotado

Saiba que ainda estão rolando os dados

Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar

Às vezes os meus dias são de par em par

Procurando uma agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer

Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer

E assim nos tornamos brasileiros

Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro

Transformam o país inteiro num puteiro

Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára, não, não pára

Dias sim, dias não

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára, não, não pára”

A música segue tranquila, sem momentos muito fortes. O refrão se sobressai, porém é quase que um grito para dentro de si. Dependendo da versão desta música, claro, a interpretação pode variar.

1ª Estrofe:

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

A primeira estrofe é bem clara. O cara é cheio de pesares. Sua experiência e vida demonstram que sua vida não serviu para grande coisa. trouxe problemas, aflições. E esse cara está de saco cheio disso.

2ª Estrofe:

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Em contraste com a primeira estrofe, o cara não se sente um perdedor. ainda estpa determinado. Ele tem consciência de que sua vida é uma sequência de derrotas, mas acredita que ainda não perdeu.

3ª Estrofe:

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A idéia é bem clara. O cara vai levando a vida, sustentado pelo auxílio de pessoas que não estão nem aí pra ele.

4ª Estrofe

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

A piscina – uma figura para o lado social de uma pessoa – cheia de ratos nos mostra que você não esconde seus defeitos, e seus pensamentos não condizem com o que acontece.

5ª Estrofe:

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

A idéia aqui é mais subjetiva. Podemos entender que as coisas se repetem, que o novo é uma modificação do velho.

6ª Estrofe:

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando uma agulha num palheiro

O cara não tem o que comemorar. Este é um retorno às ideias das 1ª e 2ª estrofes. Os dias são mal usados, em atividades quase impossíveis. Mas se percebe a mudança dos dias.

7ª Estrofe:

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

Esta estrofe é pesada. As noites de frio parecem ser os momentos em que a desgraça paira, quando é difícil sobreviver. As de calor, quando existe chance de sobrevivência, mostram ser necessário lutar pela própria vida. Esse é o retrato da sociedade brasileira. Agora, a segunda metade parece mostrar a origem desses problemas. Um outro lado que te faz menor, te faz escravo, por um objetivo único, dinheiro.

A partir daqui, são intercaladas as estrofes 4, 5, 3, 4, 5.

A frase “o tempo não para” merece atenção especial, pois ela une todos os momentos apresentados nas estrofes. Afinal, tudo aquilo aconteceu, mas o cara não morreu. Ele ainda vive. Para ele, o tempo não parou.

O tempo em nossas vidas não para. resta a nós escolher como usá-lo, antes que acabe.

Anúncios

~ por nesello em 2010 02 05.

7 Respostas to “Análise – Música – O Tempo Não Para”

  1. assim, acho que tá beeem superficial…. é mais que isso! Aliás, ele demonstra a insatisfação, e tudo mais, só que é além disso. É um grito, é um apelo pela ditadura..

  2. adorei sua enterpretação

  3. Perfeito a letra dessa música, Só mesmo Cazuza para compor !

  4. Engraçado. muito bem explicada a letra, só que ela dá muitas interpretações.
    Parece também o próprio inimigo discorrendo sobre seus pontos de vista em razão de uma sociedade dividida.
    Disparo contra DEUS, sou forte e por graça dele, minhas mágoas de não ter me igualado. Cansado de enfrentar ao Poderoso, e vai mais. sem um arranhão? porque ele é um espírito e não carne. derrotado porque perdeu a batalha com a crucificação. mas o tempo não para, pois ele ainda está brigando e tem seguidores que são os ratos da Piscina sagrada. e po aí vai. A agulha no palheiro é seus seguidores um entre mil adoradores de DEUS. Não quero dizer com isso que CAZUZA era seguidor do outro lado. Mas parece que foi o próprio que sussurrou tal letra no ouvido do Excelente, talentoso músico carioca.

  5. Mas na parte que ele fala: “…Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
    Transformam o país inteiro num puteiro
    Pois assim se ganha mais dinheiro”

    Provavelmente está fazendo ironia com a mídia brasileira, porque a mídia brasileira ganha dinheiro ensinando putaria para o povo.
    e também da hipocrisia que esta faz; fazendo críticas sem moral nenhuma! Foi um grito de insatisfação do Cazuza.
    Vai que ele se sentiu incomodado com as falsas críticas que recebia por detrás das cortinas da TV…? Nunca se sabe…

  6. analise fraquíssima.

  7. Pow meu, que tempo perdido tive lendo esta postagem…esta musica não se resume em apenas isso, ela esta mil anos luz da sua interpretação…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: