Conto – Black Heart 02

Três crianças se aproximam da escola. Vejo em suas faces uma seriedade incomum para sua idade e momento. O olhar parece distante, mas não consigo ver seus olhos, dado a distância. Em dado momento, viram a esquina. Parece que algo as assustou. Não sou eu, dado a transparência de meu corpo. Não as vejo mais.

“Por que aquelas crianças desviaram seu caminho, tão óbvio? Será que estavam fugindo de alguém? ou apenas se desviaram? Não consigo entender um ser humano. É meio complicado descobrir o que as pessoas estão fazendo. É mais fácil impressioná-las, principalmente as damas.”

O jovem que conversava com o faxineiro:

-Aquelas crianças, esse homem, não bom! Já volto! Fique de olho no jardineiro!

Ouço o barulho de algo cair e o jovem corre atrás das crianças. Seu capacete de motoqueiro fica para trás.

Voltando minha atenção ao muro que as esconde, vejo uma criança de não mais que 12 anos pular um muro de mais de dois metros facilmente. Param por um instante sobre este antes de descer dentro da escola. A terceira criança faz o mesmo.

“Nenhum adulto comum conseguiria pular tal muro assim. Essas crianças tem algo. Algo a ver com um Black Heart.”

Olho novamente para a rua. Mais crianças vem descendo o quateirão em direção a escola. Num domingo, com a escola fechada. Com certeza nçao pe para ter aulas.

“Isso não é nada bom… se os black hearts forem crianças… tomara que não.”

Observo para onde as três crianças vão, estendo meu braço para descer, e vou atrás delas. Felizmente não preciso tornar-me imaterial novamente.
” espero que Hatsu não esteja ali”

Graças a Tensei não reconheço meu irmão entre eles. Uma delas deixa frutinhas azuis cairem no chão. Pego uma delas.

O que são essas coisas?”

Cheiro-a, mordo ela. Um adorável gosto doce inunda minha boca, tão rápido quanto um enorme mal-estar. Cuspo instintivamente a fruta. É como se meu corpo inteiro a rejeitasse.

– ARGH

” que coisa é essa? Melhor eu não mecher com isso…”

Seguindo as crianças, elas estão de frente para o jardineiro, todos parados. Este diz:

-Muito bem minhas crianças, vocês são os primeiros a chegar. Os primeiros a fazerem parte da Coletividade!

Sinto um pouco de alívio. As crianças ainda não estão ligadas ao jardineiro permanentemente, pelo que parece. Me movendo silenciosamente, chego perto o suficiente so jardineiro para estender meu braço e tocá-lo. Por enquanto, ele parece ser um humano comum. Distraídos demais para me perceber, fico ao lado esquerdo do jardineiro.

O homem continua a falar:

-Logo as outras crianças que ingeriram as frutas chegarão e serão plantadas também no jardim. Vocês três serão meus primeiros, meus queridos. Serão os primeiros a iniciar a retomada da natureza neste mundo. A MINHA natureza! Hahahaha!

As crianças ouvem paradas com um olhar distante. Então o homem continua:

-Agora começarei o ritual de mudança em vocês e depois darei um jeito no outro que está aqui dentro. Ele pode acabar vendo demais.

Ele começa a falar algumas palavras em um língua estranha e as crianças arregalam os olhos.

” Nada bom NADA BOM! Tenho que pará-lo. Não é bom sugá-lo, senão posso ficar sem energia. Vou ter que fazer isso da maneira antiga.”

Esticando meu braço, direciono um soco contra ele, visando o tronco. recolho o braço logo em seguida. Infelizmente sou muito fraco, mas consigo usar toda minha força neste ataque. O jardineiro se assusta.

-Que diabos é isso? Tem alguém por aqui?

Ele olha para minha direção e tenta tatear imediatamente à sua frente. Pena que estou mais distante. Infelizmente…

” essa não, mais crianças! Preciso finalizar isso antes que me canse.”

Pela segunda vez dou um soco nele, buscando ludibriá-lo novamente. Meus golpes não causam grande efeito, mas não parece ser uma resistência por parte dele. É minha falta de força mesmo. O jardineiro ordena:

-Não sei o que diabos está havendo, mas parece que tem alguém por aqui querendo me atrapalhar! Crianças! procurem pelo maldito!

E então o inferno vem abaixo.

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~ por nesello em 2010 01 13.

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