Conto – Black Heart 01

Olho para a rua. Ninguém ao redor. O faxineiro já não me vê mais. Começo a esticar minha pele, diminuir meu tamanho, ligeiramente ao ponto de atravessar as grades do portão. Graças a Tensei sou flexível desse jeito.  Infelismente, ela não me fêz silencioso, e o portão treme demais enquanto tento atravessá-lo.  O faxineiro se aproxima. Tento ser mais rápido, mas ainda assim não atravesso a tempo. O faxineiro me vê, metade do corpo de um lado do portão, metade do outro. E minha cintura mais fina do que o normal, entre as grades.  Não duvido que meu corpo estivesse bizarro para ele, pois pela sua face o susto foi enorme.

Ele foge, apavorado, para dentro da escola. Meu pensamento.

“droga! só espero que ele não chame ninguém!”

Termino de passar pelo portão.  Assumo minha forma de Espítito,  tiro minhas roupas e apago minha imagem do mundo físico. Escondo minhas roupas para que ninguém veja. Não preciso causar mais confusão entre os humanos.  Me aproximo da escola.  Passo por todas  as pportas que vejo, nenhuma delas está aberta, assim como as janelas. Ao passar pelo portão  novamente,  um rapaz está ali. Ele parece olhar a escola, como se soubesse que algo estranho está acontecendo. Como se ele soubesse que eu estava ali. Afastando essa idéia de minha cabeça, transfiro meu corpo inteiro para o mundo espiritual, e começo a correr pelas salas e corredores da escola, tentando aproveitar o máximo de tempo que eu tenho antes de voltar ao mundo material.

” se ele estiver dentro do prédio, terei que procurar andar por andar…”

Velocidade e precisão.  Algo que ainda estou desenvolvendo. Busco pela maior quantidade de salas possível enquanto intangível. Infelizmente, minha permanência no mundo espiritual é limitada. Exatamente seis minutos, nunca mais, nunca menos. Tomo o cuidado de não estar dentro de um objeto quando isso acontece.  Devolta ao mundo físico.

Salas vazias, corredores vazios. Mais vagaroso por não poder atravessar as paredes das salas, continuo minha busca pelos corredores, olhando de sala em sala.  Um bom tempo depois,  já estou cansado,  e vejo, pela janela da escola, um jardineiro, podando plantas da escola.  Concluo a busca, e saio por uma porta qaue encontrei aberta. Apenas o fazineiro e o jardineiro estão na escola hoje.

“Ainda bem que estou invisível.”

Passo novamente pelo portão principal. O faxineiro conversa com o jovem que vi antes.

“Pois é, é muito estranho isso.  Para passar pelas grades só algum animal pequeno,  já que minha cabeça nem passa por elas!”

Ignoro os dois.

” Que estranho. Tensei disse que haveriam problemas por aqui. Melhor eu ficar de olho.”

Estico meu braço. Estico literalmente, graças a meu flexível corpo. Me agarro ao muro, e, depois, a um poste, que escalo facilmente. Não sou forte, mas meu corpo maleável ajuda. De cima do poste, observo, a escola e a rua…

Tensei estava certa ao dizer que seria perigoso estar na escola hoje…

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~ por nesello em 2009 12 27.

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