Análise – Música – Teatro dos Vampiros

Olá.

Iniciando uma nova seção, trago uma análise geral da música “Teatro dos Vampiros”, Tocada pela Legião Urbana, Gravada no Álbum V, e autoria de Renato Russo. Uma versão Ao Vivo pode ser vista aqui. Mas vamos à música:

“Sempre precisei de um pouco de atenção  

Acho que não sei quem sou  

Só sei do que não gosto  

E destes dias tão estranhos  

Fica a poeira se escondendo pelos cantos.

Este é o nosso mundo:  

O que é demais nunca é o bastante

E a primeira vez é sempre a última chance

Ninguém vê onde chegamos

Os assassinos estão livres, nós não estamos.

Vamos sair – mas não temos mais dinheiro

Os meus amigos todos estão procurando emprego

Voltamos a viver como há dez anos atrás

E a cada hora que passa

Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá, tudo bem – eu só quero me divertir.

Esquecer, dessa noite ter um lugar legal p’ra ir

Já entregamos o alvo e a artilharia

Comparamos nossas vidas

E esperamos que um dia

Nossas vidas possam se encontrar.

Quando me vi tendo de viver comigo apenas

E com o mundo

Você me veio como um sonho bom

E me assustei

Não sou perfeito

Eu não esqueço

A riqueza que nós temos

Ninguém consegue perceber

E de pensar nisso tudo, eu, homem feito

Tive medo e não consegui dormir.

Vamos sair – mas estamos sem  dinheiro

Os meus amigos todos estão procurando emprego

Voltamos a viver como há dez anos atrás

E a cada hora que passa

Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá, tudo bem – eu só quero me divertir.

Esquecer, dessa noite ter um lugar melhor p’ra ir

Já entregamos o alvo e a artilharia

Comparamos nossas vidas

E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.”

Quem prestar (um pouco de) atenção ao vídeo pode perceber que a música CANTADA é diferente da ESCRITA, em pausas, vírgulas e outros detalhes que eu também acho um saco(mas podem ser incríveis). Bem, vamos à análise da música, então:

1ª estrofe:

Sempre precisei de um pouco de atenção

Acho que não sei quem sou

Só sei do que não gosto

E destes dias tão estranhos

Fica a poeira se escondendo pelos cantos.

O primeiro verso mostra uma necessidade de aparecer, chamar a atenção. Imagino que todo ser humano passe por um período assim, na infância. Mesmo na vida adulta, ocorre uma batalha para chamar a atenção(mais sutil do que na infância, é verdade, mas ocorre).  O segundo e o terceiro se complementam. O indivíduo não tem certeza de quem é, apenas do que não gosta. A pessoa se conhece pouco, mas conhece muito do ambiente(a ponto de dizer o que gosta ou não). O quarto e quinto versos possuem dois sentidos, já que o Renato canta NESSES, enquanto escreve DESTES. Basicamente, na versão cantada, a poeira se escondendo pelos cantos ( que pode ser um segredo, um acontecimento, algo pequeno, qualquer coisa que possa ser simbolizada por poeira) está inserida nos dias estranhos, enquanto, pela escrita, ela é resultado dos dias estranhos.

2ª estrofe:

Este é o nosso mundo:

O que é demais nunca é o bastante

E a primeira vez é sempre a última chance

Ninguém vê onde chegamos

Os assassinos estão livres, nós não estamos.

O primeiro verso nos diz muito sobre a estrofe inteira. Um mundo de excessos, de cobranças, sem reconhecimento e de contradições. Creio ser a estrofe mais fácil de interpretar.

3ª estrofe:

Vamos sair – mas não temos mais dinheiro

Os meus amigos todos estão procurando emprego

Voltamos a viver como há dez anos atrás

E a cada hora que passa

Envelhecemos dez semanas.

Continua o retrato do mundo. O mundo é ditado pelo dinheiro, e o dinheiro é obtido pelo emprego. A vida das pessoas não se modifica muito(e dos objetos também. É cada vez mais comum retrabalhar uma ideia antiga). Os últimos versos destacam que as coisas “envelhecem” rápido demais, se tornam obsoletas ou ultrapassadas com velocidade incrível.

4ª estrofe:

Vamos lá, tudo bem – eu só quero me divertir.

Esquecer, dessa noite ter um lugar legal p’ra ir

Já entregamos o alvo e a artilharia

Comparamos nossas vidas

E esperamos que um dia

Nossas vidas possam se encontrar.

Diversão e relacionamento. O primeiro verso nos mostra um gosto pelo prazer, pela diversão, em detrimento das consequências. Isso é enfatizado pelo segundo verso. Esquecer(algo) e ir para um lugar supostamente melhor(ou mais legal). O terceiro verso dá uma ideia de conclusão, onde você mostrou tudo que precisava. Os últimos três versos trazem a conclusão final, onde se pensa e descobre que as coisas não são exatamente o que se esperava. No caso, ao comparar suas vidas, o eu lírico e sua(eu) consorte descobrem que não é momento de estarem juntos.

5ª estrofe:

Quando me vi tendo de viver comigo apenas

E com o mundo

Você me veio como um sonho bom

E me assustei

Essa estrofe é uma reflexão interna e pessoal. Largado no mundo, o eu lírico encontra alguém que lhe quer ajudar, porém não sabe lidar com essa pessoa.

6ª estrofe:

Não sou perfeito

Eu não esqueço

A riqueza que nós temos

Ninguém consegue perceber

E de pensar nisso tudo, eu, homem feito

Tive medo e não consegui dormir.

O primeiro verso dessa estrofe nos traz uma conclusão pessoal(que parece fechar a ideia da estrofe anterior), e que abre espaço para os pensamentos dessa estrofe, de maneira um tanto contraditória. As pessoas deixaram de reparar nas qualidades umas das outras, e o eu lírico sabe disso porém, ao refletir sobre isso, ele percebe o quão frágil é.

as sétima e oitava estrofe são semelhantes às terceira e quarta,  exceto pelo último verso da quarta e oitava estrofe. A oitava estrofe possui um verso a menos, embora não pareça. No encarte do CD, os últimos versos são a única informação sobre essas últimas estrofes:

Comparamos nossas vidas

E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.

Após suas reflexões, o eu lírico começa a entender que ninguém é inocente. Todos fazem escolhas próprias.

A música, de um modo geral, é uma reflexão sobre a sociedade(que, desde 1991, não mudou tano assim) e sobre a posição de um indivíduo dentro dela – um indivíduo pensante.

~ por nesello em 2010 01 09.

7 Respostas to “Análise – Música – Teatro dos Vampiros”

  1. o verdadeiro significado dessa musica é uma crotoca a televisão,como dito pelo próprio renato russo no acustico mtv,em 1988 eu acho,não me lembro mto bem!!!

    • Fui pesquisar e é isso mesmo que ele diz sobre a música. Uma crítica à televisão, talvez à novela Vamp, de 91.
      Como não assisti a novela, fica difícil relacionar uma coisa à outra.

      De qualquer forma, é uma bela canção. Urbana Legio Omnia Vincit!

  2. critica*

  3. na terceira estrofe , o verso que diz ” e a primeira vez é sempre a ultima chance ”
    eu n entendi , apesar d vc ter dito esssa ser a estrofe mais facil d interpretar , na minha opinião vc n deixou clara sua interpretação dessa parte , mas o vc falou eu concordei , so acho q faltou algo !

  4. A musica é perfeita pra retratar o mundo Capitalista e o mundo onde as pessoas vao se desapegando umas das outras!

  5. Renato Russo talvez quizesse criticar a tv , porém a música , pode retratar perfeitamente a realidade de uma pessoa viciada em drogas que se tornou produto do meio e também é vítima de si mesmo.

  6. Achei a sua interpretação correta, realmente é uma critica a sociedade capitalista onde a pessoa é julgado pelo seu status social e não pelo seu caráter , e ao momento de crise politica e econômica que o Brasil atravessava aquela época.

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