Dia 22

•2014 09 14 • Deixe um comentário

Futuro.

Uma das ideias mais estranhas sobre viagens intercontinentais (ou ainda entre países no mesmo continente) é que você tem a impressão de estar vivendo em um tempo diferente. Claro, se você rompe contato com as pessoas em outros lugares, tal impressão não é evidente – O desembarque aconteceu em determinado momento, era tal horário do dia, e a vida segue em frente. Mas ao se comunicar com outro lugar no mundo (a família, por exemplo – Alô Mamãe!) a diferença de referencial no tempo (popularmente conhecida como fuso horário) fica evidente.

Gritantemente evidente.

Continue lendo ‘Dia 22′

Dias 19 – 21

•2014 09 13 • Deixe um comentário

Nervosismo.

Medo

Tensão

Uma coisa é você independentemente tomar uma decisão (normalmente ponderada, analisada e observada por alguns ângulos, dentro do tempo e espaço disponíveis). Outra coisa é você conversas sobre sua decisão com outras pessoas.

Eu fiquei bem contente com o apartamento que, para mim, já estava resolvido – era só dar um jeito de conseguir todo o dinheiro que eu precisava pra fazer o pagamento. Mas né, desconfiança é uma daquelas coisas que podem ser plantadas, e, iniciante como sou, segurança ao realizar um negócio (e particular envolvendo somas de dinheiro muito grandes) é algo que ainda não tenho.

E assim começou minha quinta-feira, quando conversei com o Vitor e colegas no intervalo da aula de italiano: “Não sei cara, é meio arriscado alugar direto com o proprietário.”

Palavras tem um peso. Sei disso a ponto de buscar sempre as palavras apropriadas, precisas. E, nesse momento, as palavras do Vitor pesaram.

Continue lendo ‘Dias 19 – 21′

Dias 17 e 18

•2014 09 10 • Deixe um comentário

Desde o Brasil eu vinha pensando:

Chegarei a Milão, me ambiento na primeira semana e, durante o curso de Italiano, procuro um lugar para ficar, com todo o tempo do mundo.

Eu não poderia estar mais errado.

Continue lendo ‘Dias 17 e 18′

Dias 9 – 16

•2014 09 09 • Deixe um comentário

Passou uma semana desde meu último relato. Isso mostra como relatos diários podem ficar inviáveis, especialmente neste período turbulento de chegada à Itália. Muito para ver em Milão, gostar de dormir cedo, limpar a cozinha após o uso… Essas coisas estão ocupando um tempo precioso.

Então vou postando conforme for lembrando do que aconteceu. Não tenho fotos de todos os dias, mas as melhores estarão, como usual, no final do post. Não só isso, vou explorar como funciona essa tal de “tag Leia Mais” [/html-noob]…

TL;DR: To vivo, não se desesperem…

Continue lendo ‘Dias 9 – 16′

Dia Oito

•2014 09 02 • Deixe um comentário

Longe de casa, a mais de uma semana………

Milhas e Milhas distante…….

Eu fico aqui sonhando…..

Voando alto, bem perto do céu.

Não, ainda não é saudades. É muito difícil sentir saudades quando você passa 12 das 24 horas do dia falando em português.

Hoje o dia começou tarde. O cansaço de ontem nos forçou a passar mais tempo na cama, de modo que quase todo o alojamento acordou perto do meio dia. Como é domingo, decidimos fazer nosso almoço. Uma ideia incrível, mas complicada: 12 bocas para alimentar é meio punk demais. Optamos por fazer um macarrão à carbonara. Nossa receita:

  • 1,5 kg de penne Barilla (0,90 de euro!)
  • 250 g de bacon (ou algo parecido que tinha por aqui)
  • 12 ovos
  • alho a gosto (não que eu goste muito, mas metade do alojamento é paulista)
  • uma caixa de creme de leite fresco (cerca de 300 ml)

Cozinhar o macarrão, refogar o alho e o bacon, bater os ovos e, com o macarrão escorrido MAS AINDA QUENTE (ou seja, não passe água nele), misture tudo. Simples, mas nada prático nas dimensões que fizemos. Como acompanhamento, tinham algumas saladas prontas muito gostosas à venda no mercado, com cenoura, alface, rúcula, milho…

Ainda assim o almoço estava bom. Eu não sou mto fã de carne de porco, então separei uma parte desta, mas não tinha muito o que fazer. O pessoal ainda comeu umas salsichas, para reforçar na proteína. Sinto falta de vaca. :(

Depois de comer (lá pelas 4 da tarde), aproveitamos um pouco o alojamento e conversamos. Uma galera queria fazer um apperitivo, uma espécie de happy hour com buffet livre (basicamente de frios, podendo conter alguma pasta ou foccacia) e um ou dois drinks. Antes disso, Eu, Vitor, Gustavo e Leo demos uma corrida ao redor do alojamento. Estou só TOTALMENTE fora de forma. Após as 19:00, saímos para o apperitivo.

Começo a ver como grupos grandes possuem dificuldade para se movimentar e coordenar em uma via. Meu instinto é garantir que todos estejam acompanhando o grupo, ou pelo menos que eles não sumam. Uma preocupação curiosa, mas para mim corriqueira, comum. De qualquer maneira, não é qualquer lugar que pode receber um grupo muito grande. Mesas devem ser reunidas, cadeiras movidas, às vezes, pessoas devem se retirar…

Acabamos encontrando um barzinho onde conseguimos ficar, e assim começou a primeira noitada na Itália. Felizmente não aconteceram exageros, a comida do apperitivo deu uma segurada no álcool da galera (e o preço das bebidas após o “combo” também), e todos se divertiram.

Amanhã começa a primeira aula de Italiano. Todos estamos preocupados com o horário de voltar, embora as aulas comecem apenas às 09:15. O ponto ruim é que elas acabam às 14:00, num horário um tanto difícil para aproveitar para outras coisas.

TL;DR: Cozinhar no alojamento, OK. Noite em barzinho de Milão, OK.

Dia sete

•2014 09 01 • Deixe um comentário

Esse foi um dia muito doido. Durante a madrugada meu colega de quarto chegou comentando sobre uma viagem hoje. Destino: Verona. ok né, vamos nessa :D

Acordamos perto das 08:30, para se arrumar e correr até a estação central pegar um trem. O que saía mais rápido saia perto das 10:40, mas esse já estava lotado. Pegamos o trem das 11:40, dando um tempo para melhorar o café da manhã (as bolachas que comprei não enchem o bucho :X). Comi um sanduichinho e bebi um espresso. Só para lembrar que não gosto de café. Pegamos o trem Freccia Bianca, mais veloz e mais moderno (até tomada dentro do trem!). Como não nos tocamos que tinha lugar marcado, ficamos separados durante essa viagem. Ok né, dá para ouvir uma musiquinha (não muita pois a bateria teve que durar o dia inteiro), apreciar a paisagem, entender como os italianos se comportam dentro do trem…

Todos eram quietos, falavam baixo. Sozinhos, parecem muito reservados. Ouvia-se uma família, com as crianças se divertindo com tablets (baratos, imagino eu). A viagem passou rápido – era perto de uma hora – e lá estávamos nós (Eu, Leo, Nicole, Anna e Gustavo) em outra cidade. Levamos uma meia hora para encontrar o primeiro ponto turístico, basicamente por uma falha de comunicação. Acabamos indo em uma direção e depois voltamos o mesmo tanto. As construções são diferentes e iguais, uma coisa estranha que só vi aqui. Vários prédios de décadas diversas, em uma curiosa mistura de antigo e novo. Não consigo dizer o quão curiosas são as vielas – Iluminadas, amplas, algumas com espaço para carros. Depois de umas voltas (e um pedido de informações), chegamos à praça central da cidade.

Ao lado da praça (Enorme, por sinal, e com um desvio para carros) há uma arena romana, degradada mas mantida, de alguma forma. Shows de ópera, teatro, etc. acontecem nessa arena. Se não tivéssemos um horário tão apertado para o retorno, com certeza teríamos assistido a apresentação da noite. De qualquer forma, o lugar é incrível, de uma acústica curiosamente maravilhosa, e visibilidade limitada apenas pelo cenário do palco. Magnífica. (Ah, utilizamos nossas carteirinhas da Erasmus pela primeira vez, para ganhar desconto na entrada da arena.)

O maior problema do dia era a temperatura. Estava MUITO quente, todos nós já quase sem água. Felizmente um bebedouro público (não sei de que época, mas poderia ser medieval) estava lá para nos salvar. Enquanto meus amigos almoçaram um sanduíche (adquirido pouco antes de encontrarmos o bebedouro), decidi optar por algo mais leve, uma salada de frutas. Como até agora comi basicamente massa, uma variada nos nutrientes foi MUITO bem vinda, embora um bocado quente. Decidimos então visitar o castelo Vecchio. A construção – que a Wikipedia diz ser medieval – é bem conservada, e hoje abriga um museu. Como nós não temos dinheiro para esbanjar, tivemos que negar a visita.

Depois disso decidimos procurar a casa de Julieta, personagem de Shakespeare. Felizmente existem várias placas (e uma feira ao ar livre, para delírio das meninas) indicando o caminho. Não é fácil errar o local, sendo um dos mais movimentados que vimos até agora. Logo na entrada – o famoso balcão não fica voltado para a rua – vê-se um amontoado de pessoas. O corredor que leva para a entrada da casa é cheio de escritos, bilhetes e band-aids. Sério, curativos com o nome de casais escritos, colados em um corredor de uns 7 a 10 metros de comprimento. Chegando na pracinha (não sei como chamar isso), duas atrações são focadas: O balcão, sobre o qual a herdeira Capuleto fora cortejada pelo jovem Montéquio, e a estátua da dama, assediada pelas mãos de turistas que acreditam que, ao tocar seu seio desnudo, garantem um casamento duradouro. Sério, nem o Romeu chegou tão perto da jovem. Um portão ao fundo está carregado de cadeados (gente fazendo promessas de amor é TÃO clichê…) encerra o cenário grande. Um olho mais atento, porém, vê os escritos, post-its e – dammit – chicletes deixados por outros casais. Esse negócio de casamento vai tão bem que tem um café no local – vendendo cadeados, canetas e outros produtos.

Uma das coisas curiosas que vi é que algumas das construções não possuem porta para a rua, existindo uma passagem para uma praça mais privativa, no maior estilo Vila do Chaves. Felizmente ainda não pagamos nenhum mico de entrar em um destes locais.

Depois de visitado o balcão, tentamos encontrar a tumba da dita-cuja. Porém neste ponto as placas começaram a falhar. Ou a gente simplesmente quis se perder um pouco. O que interessa é que não encontramos o corpo da defunta, desistindo quando o local ficou longe demais de todo o resto. Decidimos voltar ao castelo, para passar sobre a ponte anexa. Mas antes, uma pausa para jantar um panzerotto, Uma espécie de calzone com massa de pão e recheios diversos. Por três euros eu fiquei BEM satisfeito. Depois, partiu ponte.

O sol estava se pondo no exato momento que chegamos à ponte. Aproveitamos a paisagem – eu ainda não achei uma coisa feia por aqui, e olha que eu vejo pichações o tempo todo – e, um tempo depois, um grupo de rapazes começou a tocar músicas locais, com uma sanfona, gaita, entre outros instrumentos. Não conheço outra palavra para descrever isso que não Mágico. O momento foi mágico. ponto.

Após o sol ter se posto, descemos perto do rio Adige. Curiosamente ele não fede – tinha gente fazendo rafting mais cedo – o que me surpreendeu. As águas são velozes, mas não há nada interessante para um passeio de rafting. Descer ele de canoa talvez fosse mais emocionante – ou remar contra a correnteza.

Depois voltamos para a praça central, ao lado da arena, para aproveitar nossos últimos minutos em Verona. Ouvimos algo perto de 5 minutos da apresentação na arena (eles tem caixas de som instaladas para o público geral). Depois, corremos para a estação. Felizmente descobrimos que a mesma rua que chega na praça leva até a estação de trem, o que nos poupou uns 20 minutos de caminhada.

O trem da volta atrasou, por motivos místicos, de tal maneira que saímos às 22:00, quando o programado era 21:40. No trem, ficamos sabendo que devíamos validar nossos bilhetes em uma máquina (atrás deles está escrito: BILHETES SEM ASSENTO MARCADO DEVEM SER VALIDADOS, mas de um jeito tão discreto e no meio de TANTAS letras que nem percebemos). Felizmente o cobrador não nos multou (50 euros), e ainda descemos em uma estação mais perto de onde fica o alojamento.

Estação Central de Milão. Esse lugar é GIGANTE

Estação Central de Milão. Esse lugar é GIGANTE

Primeira construção legal de Verona. Repare nos arcos.

Primeira construção legal de Verona. Repare nos arcos.

Viela com turistas, AKA a gente :D

Viela com turistas, AKA a gente :D

PUB ESCOCÊS!!!!!

PUB ESCOCÊS!!!!!

Construções tão diferentes nunca harmonizaram tão bem.

Construções tão diferentes nunca harmonizaram tão bem.

Fonte na praça. Muito bonitinha.

Fonte na praça. Muito bonitinha.

Panorâmica da praça!

Panorâmica da praça!

GLADIADORES

GLADIADORES

No topo da arena

No topo da arena

Brincando de sol com o Castelo

Brincando de sol com o Castelo

Grupo todo!

Grupo todo!

Torres e relógios e feiras...

Torres e relógios e feiras…

Entrada para o balcão. As coisas cor-da-pele na parede são band-aids. Será que são para corações partidos?

Entrada para o balcão. As coisas cor-da-pele na parede são band-aids. Será que são para corações partidos?

O que tem atrás dessa porta que precisa de tantos cadeados?

O que tem atrás dessa porta que precisa de tantos cadeados?

Por esse balcão já passou mais gente que por muita puta por aí...

Por esse balcão já passou mais gente que por muita puta por aí…

Tanta mão já passou por esse peito aí...

Tanta mão já passou por esse peito aí…

Foto curiosa do momento: O carro ao fundo é o Ka do Brasil. O mais destacado é o Ka italiano.

Foto curiosa do momento: O carro ao fundo é o Ka do Brasil. O mais destacado é o Ka italiano.

Lembrem, esse país foi criado com suor, sangue e lágrimas.

Lembrem, esse país foi criado com suor, sangue e lágrimas.

visão geral da peça.

visão geral da peça.

eu estragando a paisagem.

eu estragando a paisagem.

A ponte é muito bonita :D

A ponte é muito bonita :D

20140830_193545

Teorema das casas dos pombos perseguindo geral.

Teorema das casas dos pombos perseguindo geral.

TL;DR: verona é muito turística.

Dia seis

•2014 08 31 • Deixe um comentário

Todas as manhãs são cinza.

É engraçado isso. O clima de milão está agradavelmente parecido com o de curitiba. Ameaça chover, fica nublado pela manhã, e perto do meio dia um sol de 30ºC torra todas as pessoas desprotegidas. Está anoitecendo só às 20:xx, e durante a noite um vento agradavelmente frio refresca os quartos do alojamento, trazendo consigo alguns insetos. Mal parece que saí do Brasil.

Acordei umas 9 da manhã, e aproveitei para fazer compras no mercado. Comprei um desodorante e shampoo, que já haviam acabado os meus do brasil, e algumas comidas, particularmente café da manhã. Uvas são deliciosas e baratas por aqui. Maçãs também. Ao voltar para o quarto, comi alguma coisinha e, conforme o pessoal ia acordando, decidimos o que fazer. Algo urgente para mim era o cartão ATM (Azienda Transporti Milanesi) e o permesso di soggiorno, que fomos logo fazer – os correios fecham às 14:00, então é melhor ir cedo. Tudo muito tranquilo, a agência da ATM estava cheia, o que deu tempo para preencher a papelada, tirar foto, etc. Pagamos uma fortuna em xerox para o permesso, 2 euros e 40 cents para copiar 8 folhas de papel. Mas foda-se, essa parada é um tanto urgente. Na agência dos correios ficamos mais ou menos uma hora, até todos (eu, Gustavo, Lívia e Leo) serem chamados e atendidos. De lá saímos, encontramos a Nicole, o Yves, a Cris, o Busone e um outro rapaz (Felipe, eu acho) do alojamento deles. Nomes demais para a minha cabeça. :X

Eles estavam em uma loja da Wind fazendo um plano de telefonia. Matamos uma meia hora ali enquanto combinamos com o Vitor (que estava dormindo) de nos encontrarmos na piazza del Duomo. Almoçamos uma pizza fast-food-like perto das duas da tarde. Neste momento o pessoal decidiu entrar no Duomo. Eu não pude, Processamento Digital de Sinais precisava da minha atenção.

O trabalho em si não foi ruim – o que eu conseguia fazer era mais teórico, pesquisar conceitos e pá – mas depois veio um “Não sei o que fazer” que começou a pesar. Ficar sozinho é bom, mas aqui dá uns apertos meio preocupantes, pelo menos para mim. Acho que, embora essa cidade me lembre curitiba, em CTBA eu tenho uma ideia de coisas que rolam fazer. Aqui tudo é muito diferente, as pessoas se comportam de um jeito diferente, se movem de um jeito diferente, falam de um jeito diferente… Tudo aterrorizante e, ao mesmo tempo, fascinante.

Pelo menos uma coisa boa consegui fazer. Hoje vou dormir cedo, recuperar umas horas de sono que foram desaparecendo aos pouquinhos na semana.

E quem sabe o que vai acontecer no FDS…

TL;DR: Agora já dá pra ficar em Milão!

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.