dia sete

•2014 09 01 • Deixe um comentário

Esse foi um dia muito doido. Durante a madrugada meu colega de quarto chegou comentando sobre uma viagem hoje. Destino: Verona. ok né, vamos nessa :D

Acordamos perto das 08:30, para se arrumar e correr até a estação central pegar um trem. O que saía mais rápido saia perto das 10:40, mas esse já estava lotado. Pegamos o trem das 11:40, dando um tempo para melhorar o café da manhã (as bolachas que comprei não enchem o bucho :X). Comi um sanduichinho e bebi um espresso. Só para lembrar que não gosto de café. Pegamos o trem Freccia Bianca, mais veloz e mais moderno (até tomada dentro do trem!). Como não nos tocamos que tinha lugar marcado, ficamos separados durante essa viagem. Ok né, dá para ouvir uma musiquinha (não muita pois a bateria teve que durar o dia inteiro), apreciar a paisagem, entender como os italianos se comportam dentro do trem…

Todos eram quietos, falavam baixo. Sozinhos, parecem muito reservados. Ouvia-se uma família, com as crianças se divertindo com tablets (baratos, imagino eu). A viagem passou rápido – era perto de uma hora – e lá estávamos nós (Eu, Leo, Nicole, Anna e Gustavo) em outra cidade. Levamos uma meia hora para encontrar o primeiro ponto turístico, basicamente por uma falha de comunicação. Acabamos indo em uma direção e depois voltamos o mesmo tanto. As construções são diferentes e iguais, uma coisa estranha que só vi aqui. Vários prédios de décadas diversas, em uma curiosa mistura de antigo e novo. Não consigo dizer o quão curiosas são as vielas – Iluminadas, amplas, algumas com espaço para carros. Depois de umas voltas (e um pedido de informações), chegamos à praça central da cidade.

Ao lado da praça (Enorme, por sinal, e com um desvio para carros) há uma arena romana, degradada mas mantida, de alguma forma. Shows de ópera, teatro, etc. acontecem nessa arena. Se não tivéssemos um horário tão apertado para o retorno, com certeza teríamos assistido a apresentação da noite. De qualquer forma, o lugar é incrível, de uma acústica curiosamente maravilhosa, e visibilidade limitada apenas pelo cenário do palco. Magnífica. (Ah, utilizamos nossas carteirinhas da Erasmus pela primeira vez, para ganhar desconto na entrada da arena.)

O maior problema do dia era a temperatura. Estava MUITO quente, todos nós já quase sem água. Felizmente um bebedouro público (não sei de que época, mas poderia ser medieval) estava lá para nos salvar. Enquanto meus amigos almoçaram um sanduíche (adquirido pouco antes de encontrarmos o bebedouro), decidi optar por algo mais leve, uma salada de frutas. Como até agora comi basicamente massa, uma variada nos nutrientes foi MUITO bem vinda, embora um bocado quente. Decidimos então visitar o castelo Vecchio. A construção – que a Wikipedia diz ser medieval – é bem conservada, e hoje abriga um museu. Como nós não temos dinheiro para esbanjar, tivemos que negar a visita.

Depois disso decidimos procurar a casa de Julieta, personagem de Shakespeare. Felizmente existem várias placas (e uma feira ao ar livre, para delírio das meninas) indicando o caminho. Não é fácil errar o local, sendo um dos mais movimentados que vimos até agora. Logo na entrada – o famoso balcão não fica voltado para a rua – vê-se um amontoado de pessoas. O corredor que leva para a entrada da casa é cheio de escritos, bilhetes e band-aids. Sério, curativos com o nome de casais escritos, colados em um corredor de uns 7 a 10 metros de comprimento. Chegando na pracinha (não sei como chamar isso), duas atrações são focadas: O balcão, sobre o qual a herdeira Capuleto fora cortejada pelo jovem Montéquio, e a estátua da dama, assediada pelas mãos de turistas que acreditam que, ao tocar seu seio desnudo, garantem um casamento duradouro. Sério, nem o Romeu chegou tão perto da jovem. Um portão ao fundo está carregado de cadeados (gente fazendo promessas de amor é TÃO clichê…) encerra o cenário grande. Um olho mais atento, porém, vê os escritos, post-its e – dammit – chicletes deixados por outros casais. Esse negócio de casamento vai tão bem que tem um café no local – vendendo cadeados, canetas e outros produtos.

Uma das coisas curiosas que vi é que algumas das construções não possuem porta para a rua, existindo uma passagem para uma praça mais privativa, no maior estilo Vila do Chaves. Felizmente ainda não pagamos nenhum mico de entrar em um destes locais.

Depois de visitado o balcão, tentamos encontrar a tumba da dita-cuja. Porém neste ponto as placas começaram a falhar. Ou a gente simplesmente quis se perder um pouco. O que interessa é que não encontramos o corpo da defunta, desistindo quando o local ficou longe demais de todo o resto. Decidimos voltar ao castelo, para passar sobre a ponte anexa. Mas antes, uma pausa para jantar um panzerotto, Uma espécie de calzone com massa de pão e recheios diversos. Por três euros eu fiquei BEM satisfeito. Depois, partiu ponte.

O sol estava se pondo no exato momento que chegamos à ponte. Aproveitamos a paisagem – eu ainda não achei uma coisa feia por aqui, e olha que eu vejo pichações o tempo todo – e, um tempo depois, um grupo de rapazes começou a tocar músicas locais, com uma sanfona, gaita, entre outros instrumentos. Não conheço outra palavra para descrever isso que não Mágico. O momento foi mágico. ponto.

Após o sol ter se posto, descemos perto do rio Adige. Curiosamente ele não fede – tinha gente fazendo rafting mais cedo – o que me surpreendeu. As águas são velozes, mas não há nada interessante para um passeio de rafting. Descer ele de canoa talvez fosse mais emocionante – ou remar contra a correnteza.

Depois voltamos para a praça central, ao lado da arena, para aproveitar nossos últimos minutos em Verona. Ouvimos algo perto de 5 minutos da apresentação na arena (eles tem caixas de som instaladas para o público geral). Depois, corremos para a estação. Felizmente descobrimos que a mesma rua que chega na praça leva até a estação de trem, o que nos poupou uns 20 minutos de caminhada.

O trem da volta atrasou, por motivos místicos, de tal maneira que saímos às 22:00, quando o programado era 21:40. No trem, ficamos sabendo que devíamos validar nossos bilhetes em uma máquina (atrás deles está escrito: BILHETES SEM ASSENTO MARCADO DEVEM SER VALIDADOS, mas de um jeito tão discreto e no meio de TANTAS letras que nem percebemos). Felizmente o cobrador não nos multou (50 euros), e ainda descemos em uma estação mais perto de onde fica o alojamento.

Estação Central de Milão. Esse lugar é GIGANTE

Estação Central de Milão. Esse lugar é GIGANTE

Primeira construção legal de Verona. Repare nos arcos.

Primeira construção legal de Verona. Repare nos arcos.

Viela com turistas, AKA a gente :D

Viela com turistas, AKA a gente :D

PUB ESCOCÊS!!!!!

PUB ESCOCÊS!!!!!

Construções tão diferentes nunca harmonizaram tão bem.

Construções tão diferentes nunca harmonizaram tão bem.

Fonte na praça. Muito bonitinha.

Fonte na praça. Muito bonitinha.

Panorâmica da praça!

Panorâmica da praça!

GLADIADORES

GLADIADORES

No topo da arena

No topo da arena

Brincando de sol com o Castelo

Brincando de sol com o Castelo

Grupo todo!

Grupo todo!

Torres e relógios e feiras...

Torres e relógios e feiras…

Entrada para o balcão. As coisas cor-da-pele na parede são band-aids. Será que são para corações partidos?

Entrada para o balcão. As coisas cor-da-pele na parede são band-aids. Será que são para corações partidos?

O que tem atrás dessa porta que precisa de tantos cadeados?

O que tem atrás dessa porta que precisa de tantos cadeados?

Por esse balcão já passou mais gente que por muita puta por aí...

Por esse balcão já passou mais gente que por muita puta por aí…

Tanta mão já passou por esse peito aí...

Tanta mão já passou por esse peito aí…

Foto curiosa do momento: O carro ao fundo é o Ka do Brasil. O mais destacado é o Ka italiano.

Foto curiosa do momento: O carro ao fundo é o Ka do Brasil. O mais destacado é o Ka italiano.

Lembrem, esse país foi criado com suor, sangue e lágrimas.

Lembrem, esse país foi criado com suor, sangue e lágrimas.

visão geral da peça.

visão geral da peça.

eu estragando a paisagem.

eu estragando a paisagem.

A ponte é muito bonita :D

A ponte é muito bonita :D

20140830_193545

Teorema das casas dos pombos perseguindo geral.

Teorema das casas dos pombos perseguindo geral.

TL;DR: verona é muito turística.

Dia seis

•2014 08 31 • Deixe um comentário

Todas as manhãs são cinza.

É engraçado isso. O clima de milão está agradavelmente parecido com o de curitiba. Ameaça chover, fica nublado pela manhã, e perto do meio dia um sol de 30ºC torra todas as pessoas desprotegidas. Está anoitecendo só às 20:xx, e durante a noite um vento agradavelmente frio refresca os quartos do alojamento, trazendo consigo alguns insetos. Mal parece que saí do Brasil.

Acordei umas 9 da manhã, e aproveitei para fazer compras no mercado. Comprei um desodorante e shampoo, que já haviam acabado os meus do brasil, e algumas comidas, particularmente café da manhã. Uvas são deliciosas e baratas por aqui. Maçãs também. Ao voltar para o quarto, comi alguma coisinha e, conforme o pessoal ia acordando, decidimos o que fazer. Algo urgente para mim era o cartão ATM (Azienda Transporti Milanesi) e o permesso di soggiorno, que fomos logo fazer – os correios fecham às 14:00, então é melhor ir cedo. Tudo muito tranquilo, a agência da ATM estava cheia, o que deu tempo para preencher a papelada, tirar foto, etc. Pagamos uma fortuna em xerox para o permesso, 2 euros e 40 cents para copiar 8 folhas de papel. Mas foda-se, essa parada é um tanto urgente. Na agência dos correios ficamos mais ou menos uma hora, até todos (eu, Gustavo, Lívia e Leo) serem chamados e atendidos. De lá saímos, encontramos a Nicole, o Yves, a Cris, o Busone e um outro rapaz (Felipe, eu acho) do alojamento deles. Nomes demais para a minha cabeça. :X

Eles estavam em uma loja da Wind fazendo um plano de telefonia. Matamos uma meia hora ali enquanto combinamos com o Vitor (que estava dormindo) de nos encontrarmos na piazza del Duomo. Almoçamos uma pizza fast-food-like perto das duas da tarde. Neste momento o pessoal decidiu entrar no Duomo. Eu não pude, Processamento Digital de Sinais precisava da minha atenção.

O trabalho em si não foi ruim – o que eu conseguia fazer era mais teórico, pesquisar conceitos e pá – mas depois veio um “Não sei o que fazer” que começou a pesar. Ficar sozinho é bom, mas aqui dá uns apertos meio preocupantes, pelo menos para mim. Acho que, embora essa cidade me lembre curitiba, em CTBA eu tenho uma ideia de coisas que rolam fazer. Aqui tudo é muito diferente, as pessoas se comportam de um jeito diferente, se movem de um jeito diferente, falam de um jeito diferente… Tudo aterrorizante e, ao mesmo tempo, fascinante.

Pelo menos uma coisa boa consegui fazer. Hoje vou dormir cedo, recuperar umas horas de sono que foram desaparecendo aos pouquinhos na semana.

E quem sabe o que vai acontecer no FDS…

TL;DR: Agora já dá pra ficar em Milão!

Dia cinco

•2014 08 31 • Deixe um comentário

Dia começou na loucura: Enquanto até ontem pensávamos em passar dois dias nas Cinque Terre, uma rápida pesquisa sobre hostels na região nos desencorajou (não haviam lugares). Assim sendo, decidimos ir para Como, os mesmos nove de ontem, mas alguns problemas começaram a surgir. A Lívia é designer e mantém alguns freelas, que ela tem que terminar. Por outro lado, não conseguimos comunicação com a Cris e com o Busone, e o Yves não confirmou se ia ou não. Em compensação, duas cariocas (com um dos sotaques mais carregados que ouvi) vieram conosco até Como.

Compramos as passagens de ida (4,55 euros) e embarcamos para lá. O trajeto de trem durou cerca de uma hora, com algumas paradas no caminho. Muito tranquilo, razoavelmente confortável, fomos até o outro extremo do trem, descendo na estação de frente ao lago. Imediatamente caçamos uma igreja, a segunda que visito. A decoração é muito bem trabalhada, e dentro dela tocava-se órgão. Dois órgãos simétricos colocados de frente um para o outro, pouco antes do altar. Sério, esse tipo de música é sentido retumbando em todas as vísceras. Na entrada da igreja, uma exposição de desenhos retratava um grupo de freiras. A história era bonitinha, mas não pegou o meu interesse. Saímos para a praça de frente. Um senhor cantava com um violão, uma potência vocal de dar inveja. Acabamos indo mais para dentro da cidadezinha, bem simpática e agradável, até que encontramos uma loja Vodafone.

Ali paramos para comprar linhas de celular – e começaram os meus problemas.

A linha que contratamos parece bem interessante: 200min para qualquer operadora na Itália + 200 SMS + 1GB de dados (3G, a itália não é coberta inteiramente por 4G ainda – pelo menos não da vodafone). Tanto eu quanto o Leonardo contratamos também uma promoção de chamadas internacionais por mais um euro, totalizando 15,90 mensais, mais as chamadas internacionais a um preço MUITO mais interessante (Brasil a 8 cents o minuto), em um plano tipo controle (carregamos crédito no celular e a cada mês uma parcela é utilizada para pagar os planos). Parecia muito bom – Se meu telefone percebesse que estava com um chip inserido.

Saímos da loja para encontrar as cariocas Anna e Desireé e decidir onde almoçar. Acabamos parando em um restaurante bem simpático (todos eles são :X), onde a comida parecia estar num preço bom. Não lembro o que pedi para comer, mas a bebida – suco de mirtilo – estava deliciosa. O garçom que nos atendeu era brasileiro, facilitando um pouco a comunicação. Em seguida, saímos para procurar o lago.

Caminhamos por algumas vias, praticamente todas exclusivas para pedestres, até encontrar uma praça. Da praça tínhamos vista para o lago. A dimensão dele é incrível. Não é comparável com Itaipú, mas deve ser pouco maior que o lago no Parque Barigui. Embora as árvores estivessem muito convidativas, decidimos caminhar pelo Píer – imaginando que este fosse uma ponte sobre a água. A decepção do pessoal quando chegamos foi meio “ok, vamos pegar outro caminho então :(” e continuamos rindo e falando.

Aqui cabe um adendo. Se no Dia um eu consegui forçar falar italiano com o Yves – e ele se esforçou em fazê-lo – aqui já quase não falamos mais em italiano. Sério, você tenta uma ou duas frases e daí a ideia seguinte vem em português! Assim não há idioma que se aprenda :X

Acabamos dando a volta na beira do lago – totalmente construída – e vimos uma espécie de bondinho subindo um dos morros ao redor. Brincadeiras à parte (“bora pra favela na itália?”), decidimos pegar o Funicolare e ver como é a vila/cidade/bairro lá de cima. Fomos então para a comune de Brunate. Lá em cima decidimos ir caminhando para um lado – aparentemente o menos turístico. Ruelas, casas, pequenas construções… Coisa mais estereotipada possível. Bem ajeitadinhas, as casas se erguem tão perto umas das outras quanto sobrados conjugados. Quando decidimos voltar, estávamos descendo o morro, fomos para o outro lado – aparentemente mais turístico, com placas indicando locais de visitação, entre outras coisas. E começou o sofrimento. Subimos aproximadamente uns 500 metros de altura caminhando por quase dois quilômetros. Foi bem cansativo, o passeio mais cansativo até agora. A recompensa? Encontrar o farol do Alessandro Volta.

Deviam ser umas 18:xx. A descida, como sempre, foi muito mais tranquila. Paramos em um pequeno restaurante para tomar uma taça de vinho, admirando uma paisagem sensacional. descemos novamente de funicolare e fomos comprar passagens de volta para Milão. Eram umas 19:30 quando compramos todas as passagens e saímos caçando um lugar para a janta. Eu estava um pouco preocupado (encontrar um restaurante, jantar e voltar para a estação de trem em uma hora e quarenta minutos?! RÁPIDO GALERA), mas acabou dando tudo certo. A pizza de quatro queijos aqui é completamente diferente. Nada de catupiry ou provolone, era gorgonzola, queijo de cabra, mozzarella e um outro queijo que não lembro qual era. SO MUCH DELICIOUS!

A viagem de volta foi tranquila. É estranho isso, de ir até uma cidade a 40km de distância e encontrar tantas coisas interessantes para fazer. Em Curitiba, nesse mesmo raio, o que temos?

Trem chegando :D

Trem chegando :D

Vista do lago

Vista do lago

Artemis Fowl curtiu a localização.

Artemis Fowl curtiu a localização.

Parte de trás da basílica local

Parte de trás da basílica local

Uma pequena construção :D

Uma pequena construção :D

Um palacete à beira d'água

Subindo o morro da itália

Subindo o morro da itália

Anna e Vitor na maior piração

Anna e Vitor na maior piração

Uma viela.Totalmente Itália.

Uma viela.Totalmente Itália.

Vista aérea do lugar

Vista aérea do lugar

A casa dos little

A casa dos little

Isto estava na catedral. Parece uma espécie de multi relógio de sol. Ou algo de horóscopo.

Isto estava na catedral. Parece uma espécie de multi relógio de sol. Ou algo de horóscopo.

Torres em meio às árvores

Torres em meio às árvores

Dando a volta na mesa, a partir da esquerda: Anna, Derireè, Vitor, Eu, Gustavo, Leo e Nicole.

Dando a volta na mesa, a partir da esquerda: Anna, Derireè, Vitor, Eu, Gustavo, Leo e Nicole.

Super-selfie

Super-selfie

Uma igreja no morro.

Uma igreja no morro.

TL;DR: Como é um lugar bem bacana pra visitar.

Dia quatro

•2014 08 30 • Deixe um comentário

Hoje foi o dia de começar a trabalhar.

Bem, pelo menos foi o dia com menos passeios, até agora.

Pela manhã, acordei meio atrasado para a Welcome Session na Polimi. Felizmente conseguimos pegar a sequência ônibus->metrô a tempo, e chegamos perto das 10 na faculdade. A welcome session começava as 10:30 – e fomos instruídos a ir para lá só perto das 10:25. Ok então, né. :D

Fomos para um auditório da faculdade. Bem acabado, uma construção mais moderna do campus. Super funcional. Todos os alunos CSF receberam uma mochila do Politecnico di Milano, com um mapa da cidade, um folder sobre a universidade e um chip de telefone da TIM – curiosamente a Telecom Itália funciona muito bem por aqui :D. A apresentação basicamente falou um pouco sobre a universidade, a estrutura educacional Italiana (de graduação e pós) e brevemente sobre as aulas. Preenchemos o formulário para pedir o Permesso di Soggiorno, uma espécie de permissão/aviso que ficaremos em solo italiano por mais de 3 meses. Depois disso, o pessoal da Erasmus Student Network se apresentou. Pelo que eu entendi, eles são um grupo de alunos que busca inserir os alunos estrangeiros no ambiente da universidade e cultura onde estes vão. Ou seja: viagens, festas, passeios, coisas assim. Parecem ser pessoas super abertas a conversar e trocar ideias, mas não sei se são as melhores para trabalhar com.

Depois que a apresentação se encerrou, a universidade deu um coffe-break/almoço. Nunca comi nada tão gostoso em um coffe-break antes, e olha que eu sou viciado em pão de queijo! Vários sanduíches, foccacias, pizzas, bolos, mousses, macarrão com um molho delicioso, sucos diversos… Enquanto tinham limpos, as bebidas eram servidas em taças altas, e haviam pratos de louça e talheres metálicos para o macarrão. Não sei se algum dia um coffe-break/almoço vai superar esse. Depois de me saciar, fiz minha carteirinha da Erasmus, meio na dúvida se vale a pena ou não. Às 14:30 começamos a prova de italiano. A parte fácil foi MUITO fácil, mas a difícil foi TENSA. Todas as questões fáceis eram do tipo “complete com palavras da lista”, enquanto que as duas últimas – as SUPER DIFÍCEIS eram do tipo “Leia o texto e conjugue o verbo apropriadamente”.  Foi insana a parada. Depois, no teste oral, me atrapalhei tentando dizer que as matérias que quero fazer aqui não posso no Brasil (esqueci a palavra para matéria :X ), mas acho que fui bem. O resultado sai na sexta-feira, então só resta esperar.

Assim que saí da prova, nos reunimos em 9: Eu, Leo, Vitor, Nicole, Gustavo, Lívia, Yves, Cris e Gabriel Busone, outro amigo do Leonardo. Passamos um tempo numa livraria ao lado da universidade (livro em italiano sobre segurança computacional. Ainda estou em dúvida se pago os 70 euros para tê-lo *-*), para logo depois decidirmos caçar uma Vodafone (operadora de telefonia que funciona em toda europa). Claro, não achamos, e acabamos jantando um BK e um gelato, na Estação Central (tinha das duas outras grandes operadoras, a TIM e a Wind, mas da vodafone? NOPE).

Até agora foi o dia mais ‘normal’ que tive. Todo dia praticamente estou acordando meio cedo para conhecer algo novo, com a Universidade sendo um dos lugares mais interessantes que já vi. Logo trago umas fotos de lá.

Ah, hoje eu não tirei foto de nada :( Talvez por que fosse um dia meio normal, talvez pke não acho correto tirar foto de uma apresentação de slides (não me pergunte. Para mim é desrespeito).

TL;DR: Dia menos bizarro da semana. Palestra, coffe-break (maravilhoso), prova…

Dia três

•2014 08 30 • Deixe um comentário

Última manhã no hotel. Agora que já sei onde ficam a universidade e o alojamento, vou-me embora para Pasárgada (não, pera…). Arrumei as coisas, fechei a conta no hotel (consegui pagar apenas duas noites! Sair cedo é ótimo!) e tomei um táxi para o alojamento. Achei que foi caro, o alojamento fica a uns 5km da estação central (quase tudo nessa cidade fica a 5km), e paguei 10,20 euro. Deixei minhas bagagens no quarto e aproveitei para dar uma volta no alojamento.

O lugar é grande. Antigamente era um orfanato – e acredito que seja ainda hoje uma escola primária/fundamental. Tem um salão de jogos – com uma mesa de ping-pong – cozinha, lavanderia e ginásio/academia. Dá pra praticar corrida dentro do alojamento, de tão grande que é o lugar. Em alguns minutos encontrei o Vitor. Fomos ao mercado aqui perto (Leo e Nicole estavam lá). Não sei se as coisas são mais baratas que no Brasil, mas aparentemente o mercado é barateza da cidade. Não comprei coisas ainda, acabei deixando meus grandes dinheiros no alojamento.

Alguns minutos depois, após largadas as compras no alojamento, voltamos para a rua. Fomos de ônibus até a estação Lambrate, a estação de metrô mais perto. Os ônibus não são super-modernos nem super-confortáveis. São mais ou menos do tamanho de um micro-ônibus de Curitiba, talvez um pouco maior. Ele tem um grande espaço interno por ter poucos lugares que as pessoas não podem ficar – o ônibus é baixinho, na altura da calçada, e não está claro onde fica o motor. Nesse ponto fico devendo uma foto. Lá na praça que dá acesso à estação, encontramos o Yves e a Cris. Eles vieram resolver algo na Casa dello Studente, para que a Cris possa ficar um tempo mais perto dos demais amigos. Após isso, novamente fomos à estação Duomo, fazer mais cartões de transporte. Cris e Yves ficaram deslumbrados ao ver a catedral gigantesca. Na segunda vez já estou me acostumando (embora ela continue magnífica – vou tentar me atentar aos detalhes).

Em alguns minutos novamente saímos a caminhar. Desta vez, fomos na direção do Teatro La Scalla. É como me disseram. Por fora, naquela região, o lugar não se destaca (toneladas de coisas bonitas para ver em volta). As colunas de estilo grego, com capitel e tudo mais que tem direito são belas mas não deslumbrantes. Mas visitamos rapidamente a lojinha do teatro, onde consegui ter uma noção mínima do que é o lugar. Algum dia tenho que assistir uma ópera, um musical, um ballet, ou mesmo um recital (impossível não pensar na Ornella ao ver esse lugar.) O Leo é meio fanático por música clássica (e gêneros vizinhos), então acho que tenho um bom guia. :D

Depois disso, nos perdemos para algum outro lugar de Milão. Não lembro exatamente como chegamos, mas acho que esses metrôs estão acabando com meu senso geral de direção. Caminhar pelas ruas ajuda muito mais a entender relações de distância e posição que o metrô. Só sei que em algum momento, encontramos uma igreja, menor que o Duomo, mas extremamente exuberante na decoração. Dourado, cores vivas, foi muito bonito. Neste momento comecei a suspeitar que, embora eles não sejam ferrenhamente religiosos, eu seja o único ateu do grupo. Ok, consigo conviver com isso. Alguns passos depois, lá estávamos nós passeando por uma das ruas do quadrilátero da moda. Nunca vi tanta loja chique uma do lado da outra. Sério, de botar o Pátio Batel no chinelo. A rua que estávamos continuava – sem outras saídas – por mais um quilômetro. UM QUILÔMETRO DE LOJAS CARAS. As meninas só não entraram nas lojas pois:

  • Já havia passado das 17:30
  • Mesmo com a bolsa, não temos dinheiro para esbanjar.

A hora que conseguimos sair da rua, demos de frente com o palácio do senado. A construção é interessante, mas acabamos não entrando por que queríamos chegar ao Museu de Ciência Natural. Chegamos ao parque do museu, cansados. Sentamos para descansar em bancos ao lado de brinquedos para criança – caixas de areia, pequenos castelos de madeira com escada e escorregador, essas coisas – com vista para um carrossel e um carrinho de bate-bate. Eu propus de brincarmos no carrinho bate-bate, mas o pessoal não curtiu muito a ideia. Algo sobre o Vitor precisar de um carrinho para cada pé – e ter que patinar com eles. Sentamos e conversamos, uma chuvinha rala caindo. Nada preocupante. Ficamos lá até umas 19:30, quando decidimos procurar um lugar para comer – o museu já estava fechado.

Neste ponto algum de nós perguntou onde comer bem por um bom preço – e nos mandaram para Porta Veneza. Descemos no metrô de mesmo nome e damos uma volta na quadra para ver lugares para comer – nenhum deles atrativo ou barato o suficiente. Acabamos decidindo ir no primeiro restaurante que vimos. Neste ponto, os quatro rapazes (Eu, Leo, Vitor e Yves) fomos praticamente sacaneados pelo faro de promoção feminino. A Nicole e a Cris viram uma loja com descontos e decidiram entrar – e dane-se a fome que nós seis estávamos! Ficamos mais uns 15 minutos sofrendo até decidir abandoná-las, já que havíamos decidido o restaurante de destino. Um restaurante super turístico, com um aquário de lagostas – aparentemente para alguns dos pratos. Acabei escolhendo um gnocchi al pomodoro, e decidimos tomar um vinho. Que coisa deliciosa! Tanto o gnocchi quanto o vinho estavam MUITO bons. E neste momento eles descobriram que sou fraco para bebida. :(

Definitivamente, estes dias estão estranhos. A primeira atividade com a faculdade começa apenas amanhã (chegamos meio cedo ao alojamento, umas 10:00, para descansar bem). Aulas mesmo, só semana que vem. Eu poderia me acostumar com essa vida boa, mas sei o que devo fazer aqui.

Uma fonte "perdida" no meio da cidade. E o Paulo de colete!

Uma fonte “perdida” no meio da cidade. E o Paulo de colete!

o.O coisas modernas em Milão!

o.O coisas modernas em Milão!

O Pallazo del Senato. Lembra muito algumas construções no Brasil, em termos de riqueza de detalhes.

O Pallazo del Senato. Lembra muito algumas construções no Brasil, em termos de riqueza de detalhes.

Eu fiquei devendo uma foto de japoneses tirando fotos. Aqui tem o suficiente?

Eu fiquei devendo uma foto de japoneses tirando fotos. Aqui tem o suficiente?

Geral da fonte perdida no meio da cidade. Não me pergunte como chegamos lá. Talvez fique em Nárnia. Sem piadas sobre armários.

Geral da fonte perdida no meio da cidade. Não me pergunte como chegamos lá. Talvez fique em Nárnia. Sem piadas sobre armários.

E é isso. Até amanhã gente!

TL;DR: Metrôs deixam uma cidade confusa. Milão tem coisas escondidas muito bonitas. Gnocchi :D

Dia dois

•2014 08 25 • 2 Comentários

Sabe aqueles dias cinzentos, onde você não sabe o que fazer? O próximo compromisso é outro dia, e não há mais nada a fazer? Pois é, eu não conhecia isso, até hoje. Foi assim que começou meu dia.

Ah, mas tinha uma coisa que eu gostaria de fazer. Duas, na verdade. Porém, antes de dizer o que eram estas coisas, é importante lembrar que eu não tinha nenhuma espectativa sobre o que iria acontecer, fazer, etc. Sério, isso é estranho.

A primeira coisa que eu fiz foi caminhar até o Campus. Não peguei o melhor caminho, sei disso, mas peguei um que me levou até lá. Bom que a caminhada me mostrou algumas coisas sobre a cidade:

  • Só existem árvores nos parques
  • O trânsito italiano é um caos
  • Nunca vi tanta pichação.

Sério, praticamente todos os edifícios possuem alguma pichação. Deve valer como regra: Não tem pichação, é turístico/restaurado. Novamente, muitos imigrantes. Gente com cara de turco é uma das coisas mais comuns da cidade. Claro, olhos e ouvidos bem atentos. A praça leonardo da vinci poderia passar por uma praça mal cuidada de Curitiba, sem maiores dificuldades. Mas bem, ainda não falei das coisas que eu queria fazer.

A primeira delas era ir até o Politecnico di Milano ver o que eu deveria fazer, agora que estou na itália. A outra, conhecer onde fica o alojamento.

Ir até o politécnico foi tranquilo. Encontrar o edifício onde ficava o atendimento a estudantes foi levemente mais difícil. A universidade é ENORME. Em termos de UTFPR, o campus leonardo tem uns três campus curitiba de área ocupada. Não acreditei que fosse tão grande, no googlemaps. E este é apenas um campus. Outros estudantes esperavam serem chamados por senha no atendimento ao estudante. Não consegui entender o código das senhas, uma letra seguida de um número. Talvez simplesmente não haja um código, e as senhas sejam aleatórias (mas, de alguma forma, ordenadas).

Ao ser chamado, conversei rapidamente com uma moça. Na verdade, foram três. A informação importante é que quearta-feira é o grande dia, onde a universidade vai passar todas as informações relevantes. Ok, então, nos vemos quarta-feira. Neste momento conheci um outro brasileiro, CSF também. Yves. não, é sério, esse é o nome do piá. A primeira coisa que disse para ele foi: “Parla solo in italiano”. Já estou exagerando no uso de português neste blog, então preciso treinar onde posso. Depois disso, saímos do campus e fomos ao aeroporto de Linate, que fica ali por perto, esperar os amigos do Yves, que chegaram hoje. Tentei falar italiano o máximo possível, mas né, tem horas que ficou difícil. Falta ainda muito vocabulário para conseguir fluência. A caminhada levou algo entre uma hora e uma hora e quinze. O acesso de pedestres está imperfeito, tem um cruzamento de auto-estrada na rua que leva ao aeroporto que simplesmente não tem calçada – e não indica por onde ir. Claro, não é problema, mas é algo que reparei.

No aeroporto esperamos por mais de uma hora. Parece que o vôo deles atrasou, e o rapaz não tinha comunicação com eles – isto é, até a hora que ensinei como conectar na internet wifi de graça. O tipo de coisa que, se você não está acostumado com outras internets públicas, você nem percebe como fazer. AKA, ele entrou na internet, foi redirecionado à página de acesso e escolheu o acesso grátis. Com isso ele conseguiu falar – via WhatsApp – com os amigos. Conheço pouca gente agitada como ele.

E assim conheci mais quatro brasileiros. Eles não possuem uma promessa TÃO forte como a minha de só falar em italiano, o que dificultou um pouco as coisas, mas nos demos bem. Leonardo, Nicole, Cris e Ana chegaram portando tanta bagagem que eu não saberia se ia rolar pegar um ônibus (eu já estava BEM cansado para voltar a pé, além de ter mais uns 200kg em bagagem para eles transportarem). Tanto o Leonardo quanto a Nicole estão no mesmo alojamento que eu, e a Ana, num alojamento próximo. Só a Cris que está longe (O yves está em um alojamento mais eprto do campus). Pegamos um táxi, uma opção que não me agrada, mas não vi outra maneira. Eram sete malas para três pessoas. Sete malas GRANDES. Pagamos 55 euros no táxi para andar cerca de 4 quilômetros, um pouco menos, talvez. Chegamos lá, pegamos as chaves para os quartos (o Leonardo é meu colega de quarto) e DAMM, que quarto grande. Conhecemos lá a última pessoa do dia, o Vitor. Ele chegou em Milão dia 14, ficando em um albergue até hoje.

Acabamos combinando de ir à estação Duomo, mas não encontramos o Yves, a Cris e a Ana. Acabou que eu, o Leonardo, o Vitor e a Nicole demos uma volta pela parte turística da cidade. Diferente? Sim. Nenhum prédio pichado, toneladas de pessoas, um parque, um castelo… Chegamos lá na praça de metrô e andamos, andamos o resto do dia. Visitas rápidas – Cada uma das construções que vimos merece um dia inteiro de visitação – apenas para conhecer mais da cidade. Passamos pelo Castelo Sforzesco, pelo parque que há atrás do castelo e, lá pelas oito da noite – com o céu claro, ainda – decidimos procurar um lugar para comer pizza.

Achamos uma pizzaria ali por perto, sem muita vontade para procurar mais. Comi uma pizza de diâmetro de dar inveja às do Brasil, mas BEM mais fina. Acho que nunca havia visto uma pizza tão fina antes – talvez por isso tenha comido-a inteira. A fome (tanto o café da manhã quanto o almoço foram bem ralos) deve ter ajudado. Pizza simples, mozzarela e pomodoro (a marguerita do país), mas gostosa. Com água e o coberto paguei 8,50 euros. Dinheiro é limitado, não dá pra sair gastando por aí.

Casal tirando fotos com os pombos na Piazza del Duomo

Casal tirando fotos com os pombos na Piazza del Duomo

Panorâmica da Piazza del Duomo

Panorâmica da Piazza del Duomo

Uma das belas paredes da galeria Vittorio Emanuele II. Não consegui fotografar a parede inteira.

Uma das belas paredes da galeria Vittorio Emanuele II. Não consegui fotografar a parede inteira.

Estátua no Largo Caroli

Estátua no Largo Caroli

Entrada do Castelo Sforzesco

Entrada do Castelo Sforzesco

Um dos jardins internos do castelo

Um dos jardins internos do castelo

Janta. WEE :D

Janta. WEE :D

Não parece um lugar super divertido para se estudar?

Não parece um lugar super divertido para se estudar?

A Igreja do Duomo.

A Igreja do Duomo.

Japoneses. Eu prometi que ia achar fotos de japoneses tirando fotos. Comecei bem?

Japoneses. Eu prometi que ia achar fotos de japoneses tirando fotos. Comecei bem?

E com isso chego perto das 21:30 de volta. Pois é, doze horas fora do hotel meio que me cançaram bastante. Até a próxima.

TL;RD: Conheci alguns brasileiros. Só preciso me preocupar de volta na quarta-feira. Comi pizza!

Dia um

•2014 08 24 • 4 Comentários

Ok, parece que as preocupações do dia zero se mostraram desnecessárias (a conexão vai dar tempo? O avião pode cair. Se cair, oq fazer? Resgatar pessoas ou objetos? Ficar em grupo ou não? E se as malas desaparecerem? E se o hotel não existe mais? E…).

Então estou aqui, em Milão. Pois é, estou ouvindo, falando e pensando em italiano de um jeito que eu não achei que fosse conseguir. (mas esperava. Damm, por que vocês ficaram perguntando se o italiano está bom???)

O voo foi cansativo. Essa é a palavra e definição principal. Quem já viajou de ônibus sabe o que é dormir com uma pessoa perigosamente ao seu lado, enquanto todo o veículo treme. Curiosamente, eu já dormi melhor em ônibus. Acho que a adrenalina estava meio alta. De qualquer forma, consegui dormir um pouco (umas seis horas – das quase doze que o voo durou). O trecho CT-SP foi tranquilo. O avião mal decolou já estava pousando (sério, foi tipo meia hora de voo e meia hora de taxiamento nos dois aeroportos). O bom é que chegamos em Sampa a ponto de eu esperar na fila de embarque. Embora tenha corrido um pouco – bem, apressado o passo é mais preciso – a alfândega não era muito longe do terminal onde desembarquei. Devo ter caminhado um quilômetro em esteiras dentro de Guarulhos.

Na alfândega propriamente dita, tudo ocorrido conforme já me avisaram. Para passar nas máquinas de raio-X, computador e líquidos separados da mochila de mão (A guerreira da vez é a de EC. 1-UP \o/), jaqueta também retirada… Um senhor na minha frente até o cinto tirou. A alfândega estava bem tranquila. Basicamente mostrar os documentos e passagem para a atendente e vambora. Fila só de 15 minutos, menos até (telefone estava desligado desde que saí de casa – e relógio não uso).

Na sala de embarque a coisa demorou um pouco mais. Como peguei assento numa das filas da frente (classe econômica, claro), tive que esperar toda a fila dos de trás passar (NOTA: filas de trás são mais seguras e entram antes. Esquecendo da nota em 5, 4…). O avião decolou no horário previsto, felizmente tinha música decente (dava até pra escolher! AC/DC, Eric Clapton, Nirvana, e mais algumas que olhei e esqueci!) e alguns filmes interessantes. Ouvi um pouco de Nirvana até a chegada da janta (Raviolli recheado com ricota ao molho de espinafre. Não era a melhor coisa do mundo, mas não estava ruim. O vinho servido foi do agrado). Daí, mais um pouco de música até o tormento que foi tentar pegar no sono. Sim, sou um chato para dormir, admito. Não dá pra deitar (o reclinar deve largar a pessoa a um ângulo de uns 120º entre o peito e o joelho), não tinha uma posição confortável pras pernas, e o cara do lado (não sei se ele era brasileiro ou italiano até agora – mas aposto no segundo) não tinha noção de espaço. De qualquer forma, consegui cair no sono em algum momento (tipo lá pelas 5 da manhã – horário de brasília – Ah, tinham TVs com relógio, mapa e coisas legais nas poltronas da frente – foi onde vi o filme). Depois, quando acordei, decidi assistir o Amazing Spider Man. Não gostei, em parte pke o enredo do filme é corrido DEMAIS pro meu gosto, e em parte pke a tela não era boa. Cenas muito escuras não foram exibidas – ou seja, uma boa parte do filme eu vi vultos e meu próprio reflexo. De qualquer forma, logo veio o café da manhã e o filme acabou antes da viagem /*SPOILER: A gwen não morre :( SPOILER*/. Chegamos em Milão – Aeroporto de Malpensa, hora local 14:50, hora do Brasil, 09:50. Aqui deve estar no horário de verão (e o calor está de fazer inveja ao inverno curitibano). Desembarquei, caminhei meia hora até a alfândega italiana (o senhor que me atendeu não pareceu acreditar que eu ia estudar, mas…) e fiquei mais uma meia hora esperando as malas chegarem. Sério, as minhas deviam estar lá no fundo do avião, perto dos objetos contrabandeados. Vieram três levas com umas 50 malas cada antes das minhas começarem a aparecer.

Depois disso, lá estava eu, sozinho, procurando por algum lugar onde pudesse pegar o trem para Stazione Centrale. Felizmente existem balcões de informação para salvar o dia. Fui até a estação de trem, olhei rapidamente no display com os horários e ZAZ, adeus trem para Stazione Centrale. O próximo era em 40 minutos. Comprei minha passagem (para me garantir, vai que um fiscal entra no trem e eu arranjo encrenca ANTES de chegar na cidade?), tentei fazer uma ligação (não sei oq fiz de errado, mas algo estava errado), validei o ticket do trem e esperei. O trem já estava parado esperando, então 16:19 ele partiu. Eu nunca tinha viajado de trem antes, mas não foi muito diferente de um biarticulado com o triplo do tamanho andando a uns 120km/h. Ou seja, gostei.

Quando cheguei na estação central… Sério, que parada ENORME. É basicamente uma estação de trem do tamanho de um aeroporto de médio porte – pense Foz do Iguaçú. MAS, dentro dela é tipo um shopping. Sério, essa estação é muito grande – E bonita. Abaixo mostro uma foto externa dela.

Desembarquei na estação, dou uma procurada nos arredores pelo hotel onde estou hospedado, chuto a mala maior umas 15 vezes (Essa parada é totalmente instável! Você dá uma canelada sem querer nela e ela começa a pular de uma rodinha pra outra, cada vez mais inclinada! WTF!), e já aproveito e me familiarizo com a cidade. Hotel localizado, bagagens guardadas, um tempinho até a janta… Decidi sair e caminhar um pouco.

Milão, sob um ponto de vista menos turístico, não é diferente de Curitiba. Prédios grandes e imponentes, edificações mais antigas, mendigos… No geral, uma cidade grande. Algumas coisas me chamaram bastante a atenção: Os pontos de aluguel de bicicleta (tá certo que estou num ponto concorrido – a stazione centrale – mas eu contei uns 5 num raio de 500 metros), ciclofaixas aos montes, semáforos para tudo: carros, pedestres E ciclistas, numa das ruas principais tem um estacionamento subterrâneo – ou seja, nenhum carro nela. Só não encontrei o restaurante que me recomendaram, o Ciao. Quase como no McDonalds, mas né, vamos aproveitar e variar de vez. Após dar uma bela volta na região, um pensamento se desfez. Encontrei mais negros aqui do que em Curitiba. Só não sei quantos eram turistas e quantos eram moradores. Também são reconhecíveis os árabes (sério, a cara deles é diferente de todas as outras), diferente dos demais europeus. Acho que só encontrei uma senhora falando francês – ao telefone. Outros idiomas, ainda não.

Na janta – com o sol se pondo, já que agora voltei pro verão, comi um kebab, um sanduíche de carne de carneiro com tomate, alface e um molho picante. Preço de McDonalds, gosto não muito diferente. E essa foi a aventura do dia. Agora o cansaço está batendo mais forte, amanhã é dia de recomeçar as coisas por aqui…

Malfeito feito.

Trem antigo, abandonado e pichado.

Trem antigo, abandonado e pichado.

Pichação em muro ao redor da linha dos trens

Pichação em muro ao redor da linha dos trens

Mais uma pichação. Algumas são mais artísticas, outras, poéticas. Outras são apenas letras garrafais.

Mais uma pichação. Algumas são mais artísticas, outras, poéticas. Outras são apenas letras garrafais.

Várias linhas de trem. esse tipo de cenário me parece o mínimo que uma criação cyberpunk deve ter. Cinza, pedras, linhas de energia, ferro...

Várias linhas de trem. esse tipo de cenário me parece o mínimo que uma criação cyberpunk deve ter. Cinza, pedras, linhas de energia, ferro…

Fachada da estação central, vista de longe, com uma pracinha no caminho.

Fachada da estação central, vista de longe, com uma pracinha no caminho.

A primeira igrejinha que vi em Milão.

A primeira igrejinha que vi em Milão.

TL;DR: To bem, vivo, e inteiro.

 
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